É PRECISO MUDAR A REGRA DO JOGO

A economista do banco Santander, TATIANA PINHEIRO, entrevistada por Márcia de Chiara, do Estadão ( numa reportagem  sob o título “ Alimentos e serviços devem pressionar inflação em 2011”), considera que a inércia inflacionária é uma vilã da economia brasileira, mas faz parte da “regra do jogo”, como se nada pudesse ser feito para eliminá-la.

Essa inércia inflacionária – que o ex-ministro DELFIN NETTO chamava de inflação “morta” – foi atacada, em grande parte,  pelo Plano Real, há 16 anos atrás. Os mesmos fundamentos que levaram os autores do Real a acabar com parte dela, podem ser invocados para extinguir os seus resíduos, obedecido o princípio de quem pode o mais pode o menos.

Com efeito, se houve uma desindexação quase integral por ocasião do Plano Real, nada impede que ela se torne completa agora para que, com isso, desapareça uma das causas da pressão inflacionária.

Ao contrário, pois,  do que sugere a economista do Santander, as autoridades monetárias não devem ficar inertes diante de um fator inflacionário de tanta relevância, não cabendo invocar-se uma “regra do jogo” que, aliás, não existe mas, se existisse, poderia, perfeitamente, ser alterada.


A FAVOR DA ASSISTÊNCIA MÉDICA PÚBLICA

Ouvi, durante muito tempo, os elogios que uma grande amiga minha ( residente no Brasil, mas de nacionalidade  norte-americana ), BÁRBARA ACKLEY, fazia ao nosso serviço público de assistência médica. Passei a entender, melhor, essa admiração da BÁRBARA pelo S.U.S depois que assisti ao documentário de MICHAEL MOORE sobre os planos de saúde dos EUA e acompanhei a dificuldade que o presidente OBAMA teve para modificar o sistema anteriormente vigente.

Em outra ocasião, durante oito anos, fui diretor jurídico da  Rede SARAH, ajudando, dentro do possível, a concretizar o ideal de ALOYSIO CAMPOS DA PAZ de dotar o País de um conjunto  eficiente de hospitais que praticassem uma assistência médica pública de alta qualidade.

Essas lembranças me ocorreram ao ler o trecho, em destaque, da reportagem de Marcelo de Moraes, do Estadão, sobre a situação atual das nossas fronteiras, em que ele, sob o título “Mesmo deficiente, serviço de saúde atrai estrangeiros”, escreve o seguinte:

“Se nos principais centros urbanos do País o serviço público de saúde é alvo de críticas, na faixa de fronteira esse tipo de atendimento é considerado um bem valioso pelos estrangeiros e tem até provocado fluxo migratório para o lado brasileiro.  O motivo é simples: quase nunca há serviço de saúde do lado de lá. Quando existe, é privado e se torna proibitivo para comunidades mais pobres. “

Lembra ele que o  Relatório do Grupo de Trabalho Interfederativo de Integração Fronteiriça, entregue, há pouco,  ao presidente da República afirma o seguinte, a propósito desse tema:

“ O sistema brasileiro de saúde pública alcança todos os municípios de fronteira. Cada prefeitura recebe recursos de acordo com a estimativa da população. De forma contrária, a maioria dos países vizinhos privatizou o sistema de saúde, o que não só o encareceu e dificultou seu acesso pela população mais pobre como reduziu a presença ao seguir o critério do lucro na localização geográfica” .

Como se vê, o neo liberalismo não produz, para os mais pobres, uma boa assistência médica…


DECISÃO ACERTADA

Segundo noticia o colunista ALCELMO GÓIS, a antiga “gratificação faroeste”, instituída pelo ex-governador MARCELO ALENCAR, que estimulava a polícia do Rio a matar, está sendo substituída por uma outra, diametralmente oposta – que poderíamos denominar de “gratificação helvética” – por força da qual serão beneficiados os policiais não matadores.


GUERRA E PAZ

No artigo intitulado “Últimas etapas dos esforços das guerras”, hoje publicado no Estadão,  o presidente do Conselho das Relações Exteriores dos Estados Unidos, RICHARD HASS, demonstra os danos causados aos EUA pelas  guerras do Iraque e do Afeganistão que custam cerca de US$ 150 bilhões de dólares anuais, e em relação às quais o autor do artigo não mostra otimismo algum.

HASS defende a tese de que é do interesse dos Estados Unidos resistir às pressões para que permaneçam mais tempo no Afeganistão, e que a política externa do país deve ser reorientada,  no curto prazo, para as “duas ameaças externas mais imediatas ao país: o Irã e a Coréia do Norte”.

Ora, as guerras contra as quais o comentarista se insurge levavam em conta, na visão do governo BUSH,  essas mesmas ameaças, só que então representadas pelo Iraque e pelo Afeganistão.

Não terá  RICHARD HASS caido num círculo vicioso ?  Será que o artigo em questão é mais a favor da guerra, do que da paz?


OS MALES DA INDEXAÇÃO

Em extensa entrevista ao Estadão o ex-ministro LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA referiu-se à omissão das autoridades monetárias brasileiras diante da indexação residual ainda vigente, que é uma das causas da atual inflação, dizendo o seguinte:

“Estamos deixando de fazer a coisa mais importante em relação à inflação, que é eliminar as indexações que ainda sobraram no Brasil. Reduzir a inflação hoje é muito mais difícil, porque mantemos contratos indexados ao IGP e uma parte da dívida pública indexada à Selic.”

Espero que o governo DILMA, logo no seu início,  ouça essa advertência e expurgue, completamente, a correção monetária do nosso ordenamento jurídico-econômico.