MÁ VONTADE COM O DINHEIRO

No artigo “ A volta do MH” o excelente cronista  LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO manifesta, mais uma vez, a sua má vontade em relação ao dinheiro –  que ele identifica com o capitalismo  -  esquecido de que a China, o país mais esquerdista do mundo atual, usa, cada vez mais, a moeda, para tirar o seu povo da pobreza.

Segundo VERÍSSIMO , “ a esquerda brasileira é estilhaçada desse jeito de tanto bater na cidadela do poder real sem conseguir penetrá-la”, como se o inimigo da esquerda fosse o “dinheiro ou crédito para as compras”.

Mesmo o socialismo, contudo,  não prescinde do dinheiro e, quando se abstrai dele, quebra a cara, como aconteceu na antiga URSS.

Não há alternativa ao uso da moeda, que é uma forma mais branda de organizar os comportamentos das pessoas na sociedade. O outro instrumento é a lei, cujas sanções, além de centralizadas, são mais violentas,e  aumentam o poder do Leviatã, o que o dinheiro não faz.

Mesmo países, como a Venezuela, que pretendem tornar-se socialistas, evitam estatizar atividades econômicas não essenciais,  procurando não incidir nos erros que levaram Cuba, por exemplo, a não se transformar na “Grande Cuba” a que o colunista se refere.

A moeda não é, intrinsicamente, um mal; dependendo do emprego que se faz dela. Ela é, essencialmente,  uma linguagem  que permite a descentralização das decisões  tornando as condutas humanas menos violentas e economicamente mais produtivas.

Portanto, ao contrário do que parece pensar VERÍSSIMO o governo de LULA  fez bem em popularizar o dinheiro que propiciou a “movimentação de Natal nas ruas e nas lojas”, que impressionou negativamente o Marciano Hipotético do cronista.


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