MÁ VONTADE COM O DINHEIRO

No artigo “ A volta do MH” o excelente cronista  LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO manifesta, mais uma vez, a sua má vontade em relação ao dinheiro –  que ele identifica com o capitalismo  –  esquecido de que a China, o país mais esquerdista do mundo atual, usa, cada vez mais, a moeda, para tirar o seu povo da pobreza.

Segundo VERÍSSIMO , “ a esquerda brasileira é estilhaçada desse jeito de tanto bater na cidadela do poder real sem conseguir penetrá-la”, como se o inimigo da esquerda fosse o “dinheiro ou crédito para as compras”.

Mesmo o socialismo, contudo,  não prescinde do dinheiro e, quando se abstrai dele, quebra a cara, como aconteceu na antiga URSS.

Não há alternativa ao uso da moeda, que é uma forma mais branda de organizar os comportamentos das pessoas na sociedade. O outro instrumento é a lei, cujas sanções, além de centralizadas, são mais violentas,e  aumentam o poder do Leviatã, o que o dinheiro não faz.

Mesmo países, como a Venezuela, que pretendem tornar-se socialistas, evitam estatizar atividades econômicas não essenciais,  procurando não incidir nos erros que levaram Cuba, por exemplo, a não se transformar na “Grande Cuba” a que o colunista se refere.

A moeda não é, intrinsicamente, um mal; dependendo do emprego que se faz dela. Ela é, essencialmente,  uma linguagem  que permite a descentralização das decisões  tornando as condutas humanas menos violentas e economicamente mais produtivas.

Portanto, ao contrário do que parece pensar VERÍSSIMO o governo de LULA  fez bem em popularizar o dinheiro que propiciou a “movimentação de Natal nas ruas e nas lojas”, que impressionou negativamente o Marciano Hipotético do cronista.


OS PORTA-VOZES

É curioso notar, lendo as mensagens do Departamento do Estado dos EUA, vazadas pela WikiLeaks  como certos órgãos da mídia brasileira ainda reproduzem, quase ipsis literis, o pensamento oficial norte-americano.


OS EUROCÉTICOS

O economista PAUL KRUGMAN, em seu Blog traduzido para o jornal Estadão on line, diante da atual crise do Euro, dá uma de “não disse ! “ ao tentar justificar as razões pelas quais ele, e outros colegas americanos, condenaram, na época,  a criação da moeda única européia.

A argumentação de KRUGMAN peca por ser, apenas, econômica, desprezando o aspecto político e jurídico do EURO, que é, a meu ver, a sua característica mais relevante.

Uma moeda constitui uma ordem monetária: a importância do EURO consiste em ter conseguido subordinar países tradicionalmente inimigos a uma mesma ordem.Além do mais,  qual seria a vantagem, hoje, para os franceses, voltar a ter o franco, os italianos a lira, os espanhóis a peseta, e assim sucessivamente ?

A experiência européia está demonstrando, ao contrário,  que é inviável, a esta altura, que cada pais da Europa volte a ter a sua antiga unidade monetária, indicando as pesquisas que apenas os alemães, em sua maioria,  têm saudades de sua antiga moeda ( – o marco alemão –esquecidos, por certo,  do Reichmark que o anteceu, e que evaporou com a derrota dos nazistas na 2ª. Grande Guerra ).

A Europa não está em crise, atualmente, por causa do EURO mas, sim, a despeito do EURO. O que falta aos europeus é a capacidade política de ir além do EURO, o talento estratégico para instituir uma federação européia, como os norte-americanos fizeram quando se libertaram revolucionariamente da Inglaterra.

É nisso que PAUL KRUGMAN talvez não tenha ainda pensado.


ELOGIO EM BOCA PRÓPRIA

Embora eu não soubesse bem o significado de vitupério, sempre soube, desde criança, que elogio em boca própria era vitupério, o que o ex-presidente FERNANDO HENRIQUE deu sinais de ignorar, quando afirmou, numa entrevista ao programa Manhattan Conexion,  que o responsável pelas mudanças no Brasil seria ele, e não o presidente LULA.

O que FHC parece não perceber é que essa sua comparação freqüente com o presidente LULA reflete a mágoa de ter sido sucedido por este último, uma manifestação do que se chama, jocosamente, de síndrome da sucessão.

O ex-presidente está convicto – e há outros que pensam como ele – de que LULA não fez mais do que dar prosseguimento às reformas que ele, como seu antecessor  iniciou. Acontece que a história que está sendo escrita acha o sucessor melhor do que o sucedido de modo o que FERNANDO HENRIQUE devia fazer, no caso, era abster-se de dar esse tipo de declaração.