QUEM QUER VER UMA CARNIFICINA ?

A revista VEJA, pela capa de sua última edição, parece querer ver sangue no Alemão.

É preciso lembrar que o secretário BELTRAME e o governador CABRAL estavam aguardando um momento propício para resolver o difícil problema do complexo do Alemão.

A ação provocadora dos traficantes, que parecem não ter nada a perder, precipitou os acontecimentos; ou seja o momento da batalha não foi escolhido pelas autoridades o que, do ponto de vista estratégico, é um risco enorme.

A pressão da mídia tirou a situação de controle ( o que, provavelmente, é o que os traficantes querem ).

Espero que o governo federal tenha a serenidade de conter os ânimos belicosos de alguns chefes da polícia local, que dão declarações bombásticas à Rede Globo, aproveitando os seus parcos 15 minutos de fama.


À ESPERA DE DECISÕES CRITERIOSAS E TRANSPARENTES

O colunista CELSO MING termina o seu artigo do Estadão de hoje, “Expurgo de preços”, com as seguintes palavras, que merecem ser transcritas:

“ O sistema de indexação é distorção do entulho inflacionário. É o que pode ser dito da maior parte dos preços administrados, que correspondem a 30% da composição do custo de vida e evoluem de maneira automática, independentemente do tamanho dos juros ou da oferta e da procura. Não faz sentido usar o IGP-M, um índice sobrecarregado de preços do mercado atacadista, para reajustar aluguéis, tarifas e prestações das dívidas.”

Essa convicção leva o comentarista a considerar que as idéias do ministro MANTEGA ( de alterar o critério de cálculo da inflação, quando ela é usada como indexador de certos preços administrados )  “são, em princípio, corretas.”

É preciso, contudo, como ele alerta que, dentre outras coisas, seja definida, previamente, uma metodologia transparente, sem o que “ficará minada a credibilidade da condução isenta da política de juros junto aos marcadores de preços.”


A CRÔNICA DE ARNALDO BLOCH

No artigo “JÁ É”, hoje publicado no segundo caderno de O GLOBO, o colunista ARNALDO BLOCH argumenta, corajosamente, a favor da regulamentação das drogas, como saída para os inúmeros impasses em que a população fluminense acabou se metendo, por causa do clima de histeria que tomou conta do Estado.

Numa situação destas, em que grassa a irracionalidade, é salutar a leitura de um texto lúcido que deverá ser levado em conta pelas autoridades, se elas ainda quiserem manter o programa de abrigar no Rio a Copa do Mundo e as Olimpíadas.


O ALEMÃO E A FAIXA DE GAZA

Noventa e cinco por cento da população do Complexo do Alemão – que é 400 mil almas – é composta de pessoas honradas, trabalhadoras e, acima de tudo, de brasileiros e de brasileiras.

Essas pessoas, porém, estão sendo tratadas de um lado pelos traficantes  e, de outro lado, pela polícia, como se inimigos estrangeiros.

As Forças Armadas, dando cobertura à polícia, poderão acabar numa posição similar à dos militares americanos na região.

O ministro da defesa NELSON JOBIM e a presidente eleita DILMA ROUSSEFF, que podem ver as coisas mais à distância, devem fazer cessar a situação equívoca em que as autoridades, parte da população e a imprensa local meteram o Exército.


FHC NÃO TEM MORAL PARA CRITICAR

Em entrevista em São Paulo o ex-presidente FERNANDO HENRIQUE CARDOSO criticou a proposta em estudo de retirar dos índices de custo de vida – que ainda servem para indexar certos preços – alguns elementos sujeitos a variações esporádicas, como o custo dos alimentos e dos combustíveis.

Disse CARDOSO que “ aí fica a suspeita de que o índice de inflação não mede a inflação, que há manipulação, que o governo vai  interferir”.

É óbvia a tentativa do ex-presidente de lançar dúvidas sobre a seriedade da proposta.

Mas ele não tem, como popularmente se diz, “moral” para criticar, uma vez que deixou as brechas no Plano Real que são, em grande parte, responsáveis, atualmente, pelas defasagens das taxas de juros e de câmbio, o que o atual governo quer consertar.

Mais uma vez a incontida, e vaidosa,  vontade de opinar sobre tudo, como se ele fosse o “dono da verdade” leva o ex-presidente a fazer pronunciamentos infelizes.