VITÓRIA DE DILMA ROUSSEFF

Dilma Rousseff foi eleita. O significado dessa eleição é extraordinário. O Brasil é uma  grande democracia e a maioria do povo votou, conscientemente, num projeto de poder em que os mais pobres assumem uma posição que começaram a ter no governo LULA.


CADÊ A DIFERENÇA ?

Os jornais estão reclamando que a campanha eleitoral não conseguiu realçar as diferenças entre os candidatos do PT e do PSDB, o que se explicaria por pertencerem ambos a partidos social democratas.

A leitura dos comentários nas redes sociais da Internet, tipo Facebook, mostra, porém, ao contrário, que as pessoas das classes ricas e média altas têm um verdadeiro pavor da DILMA e abominam o presidente LULA e o PT, diante dos quais manifestam um ódio profundo, não obstante a semelhança ideológica do PT e do PSDB.

Por que será que isso ocorre ?

As pessoas bem de vida, a meu ver, têm medo de que a ascensão dos pobres represente uma perda de espaço para elas.

Uma das tarefas da candidata DILMA ROUSSEF, se eleita hoje presidente da República, será demonstrar que o fato dos pobres deixarem de ser pobres não significa, necessariamente,  que os ricos ficarão menos ricos mas que, de um modo geral, todos viverão melhor, como, de resto, aconteceu no Brasil, nesses últimos 8 anos.

Mais do que entre DILMA e SERRA a escolha dos eleitores está sendo entre  LULA e FHC, um deles acadêmico – que não consegue deixar de ser acadêmico –  e o outro metalúrgico, que não deixou de ser metalúrgico.


NÃO MUDA NADA ?

Num trabalho investigativo o jornalista LEANDRO COLÓN, do Estadão, na reportagem sob o título “ Regra de denúncia está em projeto original”, demonstra, inequivocamente, que a norma que impede candidaturas de quem renunciou ao mandato para escapar de processo de cassação consta, desde o início, do projeto popular da lei da Ficha Limpa, desmentindo a afirmação do ministro GILMAR MENDES de que a regra resultara de uma emenda parlamentar, “com nome e sobrenome”, inserida pelo PT para prejudicar uma determinada candidatura.

Procurado pela reportagem o ministro, ciente do fato, afirmou:  “Não muda nada” ( estar no projeto original ).

Na verdade, porém, muda tudo.Ficou provado que o ministro fez uma afirmação falsa, que serviu de base para o seu discurso enfático contrário à aplicação imediata da lei da Ficha Limpa

Disso tudo podem ser tiradas duas conclusões:  a primeira, que o ministro se deixou embalar por um erro ( o que, afinal, é humano ) ; a segunda, que o ministro não teve a humildade, quando a oportunidade lhe foi oferecida,  de reconhecer o seu erro.


ROMPIMENTO DE UMA DOGMÁTICA ECONÔMICA

O presidente LULA desprezou a dogmática econômica brasileira predominante; pagou – como se diz –  para ver, sabendo, exatamente, o  que estava fazendo, o que se constata, aliás, pelo uso repetitivo, por ele,  da expressão “ nunca antes nesse país”.

A dogmática, da qual LULA se afastou,  girava em torno de uma doutrina ideológica que defendia as pessoas mais ricas, em detrimento dos pobres.