NÃO HÁ MAIS CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS
Na vida privada é praticamente impossível você saber hoje quanto custa, por exemplo, uma passagem aérea: depende das suas milhas, do dia em que você compra, do dia em que vai viajar, do aeroporto do qual você sairá e para o qual irá, do estado da lotação da aeronave, da vontade da empresa fazer uma promoção, e de outros fatores igualmente aleatórios.
Na área pública, por sua vez, não conseguimos saber qual é a nossa eventual dívida tributária, cujo “principal” é sempre uma incógnita : sobre ele incidem juros simples, juros de mora, correção monetária, multas progressivas, honorários de advogado, custas, etc.
Ainda recentemente a Procuradoria da Fazenda Nacional quis fazer um levantamento de quanto tem a receber e não foi bem sucedida, pois mesmo os créditos incobráveis geram acessórios que crescem interminavelmente e desfiguram o principal.
Tudo isso é condenável, impossibilitando o cidadão comum de contar.
Um dos fundamentos da cidadania é podermos ler, escrever e contar.
No momento em que as máquinas eletrônicas possibilitaram aos credores obter resultados instantâneos de cálculos longos e difíceis a linguagem dos números distanciou-se de nós e dificultou a nossa vida.
