ESTADO,SOCIEDADE E PESSOAS BELICISTAS
Na parte final de sua longa entrevista ao Estadão o presidente da Síria, BASHAR ASSAD, atribui à sociedade israelense – de modo, a meu ver, preconceituoso – a responsabilidade pela condenável política externa israelense, ao dizer:
“ Não dá para avaliar o governo sem avaliar a sociedade israelense. Esta mudança na direção da direita e do extremismo começou algumas décadas atrás. RABIN pagou com a vida o preço de ter ido em direção da paz. Portanto, o extremismo está presente na sociedade… Para nós, na Síria, não há grande diferença entre esses ( vários ) governos.”
A dicotomia Estado e Sociedade, muito divulgada, está sendo empregada por ASSAD , nesse ponto, sectariamente, diferentemente, por sinal, do restante da entrevista, que me pareceu, nas suas linhas gerais, comedida.
Falar mal da sociedade israelense é uma forma disfarçada de falar mal do povo judeu que não é o responsável pelo extremismo do Estado de Israel, como o povo alemão não foi o responsável pelo extremismo nazista de Hitler.
Parece claro que a sociedade israelense apóia o governo atual de seu país, mas ela, ainda assim, não pode ser culpada da beligerância desse governo; o que quer dizer, em outras palavras, que não é culpando a sociedade israelense – nem o povo judeu – que se vai conter as atitudes belicistas daquele Estado.
A posição do Estado de Israel no tabuleiro estratégico do Oriente Médio decorre do papel que as potências ocidentais lhe incumbiram, que deu lugar à militarização compulsória do povo israelense que dificulta, hoje em dia, qualquer negociação.
A adversária da paz no Oriente Médio é a política bélica imposta, durante anos, a Israel, que moldou a mentalidade da sua população, que será, também, vítima da guerra que vários grupos beligerantes pretendem, se puderem, desencadear na região.
