A POLÍTICA ECONÔMICA DE SERRA E A ELEIÇÃO DE DILMA
Dois artigos no caderno de economia de hoje do Estadão intitulados, respectivamente ( e significativamente ) “ Qual oposição ?” e “ Mato sem cachorro” evidenciam as preocupações ( agora manifestas ) de jornalistas e economistas com as tendências econômicas de JOSÉ SERRA e o receio de que as chamadas classes dominantes sejam levadas a apoiar a candidatura de DILMA ROUSSEF à presidência da República.
Todos os dois articulistas têm razão quanto à insustentável ambigüidade de SERRA, que procura usar termos populares para expressar o seu descontentamento com a situação atual, dando, porém, a impressão de que não sabe bem o que fazer para modificar o estado de coisas vigente – naquilo, pelo menos, em que o atual estado de coisas precisa ser modificado.
O problema, contudo, é que – assim como acontece com SERRA – não se sabe o que DILMA pensa sobre as modificações que precisam ser feitas para que os juros baixem e o câmbio não fique tão apreciado.
O ponto fraco da política econômica do governo LULA foi a falta de disposição de o governo ter levado adiante – às últimas consequências – os propósitos do Plano Real, e o fato de ele não ter consertado algumas falhas institucionais do aludido plano, como, por exemplo, a falta de uma norma de conversão das antigas obrigações pecuniárias em Real.
Foram omissões instrumentais, mas relevantes.
A presidenta DILMA, quando eleita ( o que parece, cada vez, mais certo ) terá um desafio pela frente: suprir essas omissões instrumentais do governo LULA na área econômica.
Esperemos que ela tenha disposição suficiente para fazer isso logo no início do seu governo, aproveitando o capital político de que vai dispor.
