A DOUTRINA DA GUERRA DE LONGA DURAÇÃO

No artigo do The Guardian, traduzido para o Estadão, intitulado “O militarismo domina a sociedade americana”, o colunista SIMON TISDAL se refere a um tipo de pensamento que parece dominar o Pentágono atualmente que é a doutrina da guerra de longa duração, ou seja: “um conflito interminável contra inimigos indefinidos, mas onipresentes”.

Esse tipo de doutrina militar é um perigo: o conflito é interminável, o inimigo é indefinido e está em toda a parte – isto é, somos, e seremos durante muito tempo,  todos nós.

A doutrina da guerra de longa duração, apoiada, em grande parte, pela direita americana, é o tipo da idéia corporativista, em que as forças armadas se tornam muito relevantes do ponto de vista político, como se fossem as titulares da potência do País, acima  dos poderes civis ( poder econômico, poder moral e poder político )

A sorte, como sugere o colunista na conclusão de seu artigo, é que o presidente BARACK OBAMA não é “um presidente guerreiro”, como o foi o seu antecessor. E é por isso, por não ser um belicista, que OBAMA angaria, cada dia mais, contestações do tipo da que fez, recentemente,  o general STANLEY McCHRYSTAL, na revista Rolling Stones.

Uma guerra – no Oriente Médio, por exemplo, onde ela é mais provável, impulsionada pelo Estado de Israel – seria uma enorme catástrofe.

O mundo depende muito, portanto, de BARACK  OBAMA, pessoalmente, e dos norte- americanos que o elegeram e o apóiam.

Mas a beligerância anda à solta. Os porta vozes da violência,  por maior que tenha sido o desastre no Iraque e esteja sendo péssima a campanha da OTAN no Afeganistão, tem cada vez mais espaço, direta e indiretamente, nos meios de comunicação. São pessoas que querem fazer a guerra para se afirmar, e compensar as perdas políticas, econômicas e morais que sofreram nos últimos anos, e continuarão a sofrer, num mundo em transformação rapidíssima, no qual os conservadores não entendem o que está se passando, e os liberais estão cada vez mais virando conservadores.

A paz no mundo tornou-se o principal desafio dos homens de boa vontade.


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