ENTRE O DIÁLOGO E A GUERRA

A esta altura, para evitar que o Estado de Israel, belicista como ele é, desencadeie uma guerra doida no Oriente Médio, os EUA talvez não tenham outra saída, mesmo, senão insistir na aplicação de outro tipo de sanções.

De um perspectiva de Direito Internacional a guerra é uma forma de sanção, aplicada unilateralmente, de vez que não há um Estado mundial que detenha o monopólio do uso da força. Entre essa sanção, e outras, econômicas, estas últimas são, inegavelmente, melhores. A sanção econômica, nesse caso, não será o início de uma escalada, como aconteceu no Iraque, mas uma forma de baixar a pressão.

De qualquer forma, a iniciativa de diálogo mediada pelo Brasil deve dar resultados positivos, e levar os EUA a conversar diretamente com o Irã e este a deixar de lado a retórica, de muitos muçulmanos,  de que o Estado de Israel deve ser riscado do mapa.

A solução para a crise quase eterna do Oriente Médio será a criação, o mais rapidamente possível, do Estado Palestino, com a definição da situação de Jerusalém, e o acerto das fronteiras do Estado de Israel com os seus vizinhos árabes.


NEGOCIAÇÕES COM O IRÃ

O Irã, aparentemente, quer desenvolver a energia atômica tanto para fins pacíficos como para fins militares.

O ocidente acredita que o projeto iraniano visa, apenas, fins militares e não quer, por isso, que o Irã desenvolva qualquer tipo de energia atômica,

Se o Brasil convencer o ocidente de que deve ser respeitado o projeto do Irã de ter a tecnologia atômica para fins pacíficos o impasse atual ficará superado, e as partes terão retornado ao ponto anterior em que estavam presentes as duas alternativas.


PACÍFICO OU INÓCUO ?

O presidente do Banco Central brasileiro HENRIQUE MEIRELLES afirmou, ontem, que “ este tem sido o aumento de juros mais pacífico dos últimos sete anos”.

O que parece a MEIRELLES ter sido pacífico na recente elevação da SELIC em 0,75% foi, na verdade, a ausência de seriedade da medida.

Uma das principais características da administração da moeda é a relevância das quantidades pois, após um determinado limite, a linguagem monetária perde sentido –  como já ocorreu, aliás, no Brasil, antes do Plano Real, quando vivemos uma das mais graves hiperinflações da história.

Os nossos juros são, há tempos, os maiores do mundo; o que, por si só, indica que as suas taxas deveriam cair, nunca ser aumentadas.

Ou não quer dizer nada termos os juros mais altos do que todos os outros ?

Tão grave quanto as nossas taxas de juros elevadíssimas é o fato de termos, ainda por cima, uma meta de inflação de 4,5% ao ano.

Continua a existir, por trás de tudo isso, o velho esquema de transferência compulsória de renda pela correção monetária, que não foi rompido pelo governo LULA.


A EUROPA POSSÍVEL

No artigo “O fim da Europa”, hoje publicado no Estadão, GILLES LAPOUGE refere-se a uma Europa que está na cabeça dele e não ao Estado nacional que vem surgindo no espaço europeu depois do final da Segunda Guerra Mundial.

Uma coisa é o que o articulista imagina ser, fantasiosamente,  a Europa; outra a ordem jurídica que está sendo construída, com dificuldade, mas consistentemente, num local tão rico de história e de tradições.

A moeda comum, da qual GILLES LAPOUGE tanto desconfia, saiu-se bem do teste a que foi submetida. O fato de o Banco Central Europeu ter ido tão longe, quanto foi, em defesa da moeda única, não foi um erro ( como parece a CELSO MING ) mas um acerto: uma lição a ser seguida.

Não é fácil edificar um novo Estado sobre nações estruturadas há séculos com tantas culturas diferentes como é o caso da Europa. A verdade, porém, é que os europeus já deram passos a favor de sua unidade que são, a meu ver, irreversíveis. Depois da união européia, com características predominantemente comerciais, eles conseguiram criar uma moeda única, fizeram um parlamento, votaram uma constituição, e estão se transformando, aos poucos, mas firmemente, numa organização, que enfrenta seus desafios, mas sabe superá-los.

O que GILLES LAPOUGE não disse, no seu artigo – e talvez não tenha sequer vislumbrado – é que a Europa de seus sonhos é aquela mesma que se enfiou, no século XX, em duas guerras desastrosas, que custa a pensar que ocorreram.

A única forma de a Europa não voltar ao desastre de que foi palco no século passado é tornar-se um Estado nacional – confederado, federado ou unitário.

É provável que os sindicatos europeus se renovem, diante dos cortes que estão sendo impostos aos trabalhadores, e as populações voltem às ruas para protestar, o que pode assustar certas almas mais sensíveis, mas será uma demonstração de vitalidade democrática.