O HÁBITO DOS ALTOS ACESSÓRIOS

Ninguém reclamou muito da alta dos juros, não só porque os espíritos foram preparados com antecipação, especialmente através de pronunciamentos do presidente do Banco Central, HENRIQUE MEIRELLES, como porque todos nós estamos habituados a conviver com altíssimos acessórios.

Estou denominando acessórios, de uma maneira geral, os juros e a correção monetária, que incidem, de uma forma ou de outra, sobre o principal da dívida.

Como temos uma larga vivência de inflação – e, mesmo, de hiperinflação – não nos causam estranheza os altos percentuais de juros e de correção monetária, contra os quais estamos vacinados. Lembro-me de que o então ministro MAILSON DA NÓBREGA, numa época em que, depois de fracassados dois ou três planos econômicos,  nos aproximávamos da superinflação do final do governo SARNEY, teve o desplante de declarar que o que lhe cabia, no momento, era por em prática uma política monetária de “arroz com feijão”.

O Plano Real, por sua vez, além de preservar o passado, e de não impor perdas aos rentiers, ficou no meio – ou em 2/3, vá lá – do caminho, pois manteve a correção monetária residual no sistema financeiro, nos contratos de prazo superior a um ano ( o que depois foi excepcionado em favor do mercado imobiliário ) e no caso das dívidas judiciais.

Os brasileiros poderosos, e os que pagam os juros e as correções monetárias, estamos todos acostumados com altos acessórios: o que não quer dizer que não vá chegar o momento em que as distorções provocadas por essa situação anômala passem, de fato, a incomodar e alguma providência venha a ser tomada, não se sabe, porém, quando…


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