O FIM DA GUERRA ÀS DROGAS
Os dois oficiais mais graduados, em relação ao cone sul, da Drug Enforcemente Administration ( DEA ) ALEX TORTH e PATRICK STENKAMP, que estão no Rio para participar da IDEC ( a maior conferência internacional anti drogas ) afirmaram ao Estadão que “ a tese da guerra às drogas, que pautou a política americana durante anos, foi superada.”
Trata-se de uma boa notícia: a famigerada “war on drugs”, que começou em 1971 no governo NIXON – segundo a qual, em última análise, pretendia-se salvar do vício a “angelical” população americana entrando numa verdadeira “guerra” contra os países responsáveis pela produção ou intermediação dos tóxicos – oficialmente acabou.
Segundo os referidos membros da DEA ( cuja formação profissional não foi esclarecida na reportagem do jornal, mas me pareceram falar como militares, ou policiais ) a responsabilidade pela política anti drogas deve ser tanto dos países produtores, como dos países consumidores, e o problema deve ser atacado em três frentes: operações policiais, investimentos em educação e tratamento dos dependentes.
Quanto à legalização das drogas – que eles, de certo modo, eles identificam com a liberação – os dois são radicalmente contra. Dizem que os que tentaram esse caminho se deram mal e tiveram gastos astronômicos com o sistema de saúde.
Ora, argumento econômico por argumento econômico eu continuo a preferir o do professor GARY BECKER, que tem trabalhos importantes demonstrando que se o lucro do tráfico de drogas não for tão grande isso afastará dessa atividade muitos jovens e tornará o setor menos violento, e uma das formas de baixar os ganhos do narcotráfico seria, precisamente, legalizá-lo.
Parece-me, contudo, que, por ora, não é possível um grande avanço, no sentido da regulamentação.
De qualquer modo o reconhecimento explícito, pela DEA, de que a guerra às drogas foi superada, já é uma bela notícia.
