O EURO E A UNIÃO POLÍTICA DA EUROPA

A crise financeira da Grécia e o rebaixamento do grau de investimento de Portugal e da Espanha não significam que a instituição do Euro tenha sido um equívoco, ao contrário do que insinuam alguns comentaristas.

A Europa, há alguns anos, vinha procurando se unir, para superar séculos de desentendimentos, de nacionalismos e de guerras locais até que conseguiu, afinal, emitir uma moeda comum que foi emitida  e começou a circular em 1º de janeiro de 2002.

A emissão de uma moeda regional supranacional, por um Banco Central Europeu, não teve relevância apenas comercial, como parece a muitos, mas importância política, porque a moeda, como as leis, é um fator de disciplina das condutas das pessoas na sociedade, responsável pela organização de  um “Estado” monetário.

Até a emissão do Euro – porque a moeda só começa a ter existência quando é emitida por uma autoridade central – não tinha havido, na História, outra moeda internacional, com características formais definidas. O fato de moedas de certos países, como, por exemplo, a libra, o dólar, servirem de meios de pagamento em negócios entre nações não quer dizer que essas unidades monetárias tenham validade de moeda internacional.

É verdade que a Inglaterra, uma nação histórica, cultural e geograficamente européia, não ingressou, ainda, na zona do Euro, o que é lamentável. Isso, porém,  não retira da moeda única a sua importância política. Basta lembrar que dois países que travaram guerras tão sangrentas entre si – como a Alemanha e a França – possuem, hoje, o mesmo dinheiro, o que torna muito mais difícil, para seu povos, voltarem a odiar-se, como se odiaram, antes, em tantas ocasiões.

A despeito do Euro as nações da Europa precisam dar outros passos institucionais  para tornar-se uma organização política tradicional –  como um Estado confederado, federado, ou sob outra forma –  não merecendo ouvidos aqueles que se dizem contra a moeda única mas são, no fundo, a favor de uma regressão.


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