A AMEAÇA ATÔMICA

Há muito tempo que se diz que o Estado de Israel quer usar armas atômicas – ogivas “táticas” de baixa radioatividade – para destruir as instalações nucleares iranianas.

Imaginem vocês, aqui na América Latina, se nós soubéssemos que a Argentina – ou a Venezuela – tinham a bomba atômica ! A pressão para que nós tivéssemos, também, a “nossa” bomba, seria, nesse caso, sem dúvida, muito forte.

A única solução para a questão nuclear iraniana é o desarmamento atômico.

Não tem sentido um país estar em condições de  jogar bombas nucleares no outro para impedir que esse tenha bombas.

Isso não justifica o esforço do Irã para produzir artefatos nucleares, mas explica o que está se passando e evidencia a hipocrisia com que esse problema está sendo tratado não só pelo Estado de Israel, como pelas grandes potências.

Vale lembrar que a eventual destruição das instalações nucleares iranianas pelo Estado de Israel, além de minar toda a política dos EUA no Oriente Médio –  não impedirá, a longo prazo ( podendo, ao contrário, facilitar) – que o Irã, agora com maior apoio,  fabrique a sua bomba.

A vocação pacifista do presidente LULA poderá ajudar a comunidade internacional a encaminhar melhor essa questão nuclear iraniana, que não vai se resolver com sanções.


POR QUE TANTA PEDOFILIA NA IGREJA ?

O problema não é, apenas, por que há casos individuais de pedofilia na Igreja, mas o motivo pelo qual há tantos casos de pedofilia na Igreja: que consiste, obviamente, na imposição do celibato ao clero.

Diante das informações de que o Papa Bento XVI, na sua época de cardeal, não divulgava – ou, pelo menos, não divulgava todas – as notícias de pedofilia que chegavam ao seu conhecimento, diz o Vaticano que “não se lava roupa suja em público”, no que ele não deixa de ter alguma razão, pois está sendo péssimo para a imagem da Igreja Católica a discussão sobre esse tema pela mídia.

De que adiantará, porém, tornar públicas, doravante,  as denúncias, e as confissões, de pedofilia ? Será que os padres e bispos, com medo, vão recuar de seus eventuais propósitos pedófilos ou, pelo contrário, vão ver nisso um fator a mais de excitação sexual ?

Enquanto não acabar o celibato do clero, a imensa pedofilia na Igreja católica vai continuar, porque ela tem uma causa clara, concreta e insofismável: os sacerdotes são tentados a molestar as crianças sob a sua guarda porque não podem desenvolver, naturalmente, a sua sexualidade.

Há uma cadeia de fatos que precisa ser desmontada com a maior das maiores urgências:

a – reduzir ao mínimo os casos de pedofilia na Igreja;

b – o que não será possível se a Igreja não acabar com o celibato;

c – o que também não será possível se a Igreja não passar a enfrentar de outro modo a questão da sexualidade humana.


O JORNAL COMO UM PARTIDO DE OPOSIÇÃO

Em artigo publicado no Estadão, sob o título “ A imprensa não vai tão bem assim”, o jornalista EUGÊNIO BUCCI escreve, a certa altura, sobre o resultado de uma pesquisa de opinião feita, recentemente, pelo Instituto Análise:

“ É bem verdade que, na sua rotina, a imprensa deve ser mesmo mais dura com o governo do que com aqueles que não exercem funções públicas, mas isso não significa que ela deva ser feroz contra o governo e dócil com a oposição. Se 24% dos entrevistados ( na pesquisa do Instituto Análise ) afirmam que os jornais resvalam no partidarismo, algo realmente vai mal.”

Essa crítica da opinião pública aplica-se, como uma luva, ao GLOBO, do Rio de Janeiro  ( o único jornal da grande imprensa que, lamentavelmente, remanesceu neste Estado )   que somos obrigados a folhear diariamente para, pelo menos, saber as notícias locais e ler o obituário.


O ESTADO DE ISRAEL E A QUESTÃO MILITAR NO ORIENTE MÉDIO

A revista Foreign Policy afirma que os militares norte-americanos consideram que o Estado de Israel, com a sua política em relação aos palestinos, está pondo em risco a atuação das forças dos EUA atualmente no Oriente Médio.

O vice-presidente JOE BIDEN teria dito o seguinte ao premier israelense, BINYAMIN NETANYAHU:

“ O que vocês está fazendo aqui compromete a segurança de nossas tropas no Iraque, Afeganistão e Paquistão. É uma ameaça a nós e à região”.

Como o lobby militar, nos EUA – segundo o blogueiro MARK PERRY – é mais forte até do que o lobby israelense, é possível que mudanças políticas mais velozes ocorram na região.


REFORMA DA SAÚDE NOS EUA

Alguns promotores de Estados americanos ingressaram com uma representação na Corte Suprema alegando que a Reforma da Saúde, aprovada por uma Lei do Congresso, violaria dispositivo da Constituição ( conhecida como Décima Emenda ) que assegura a liberdade comercial.

Como o sistema anterior, que foi agora alterado, vigeu durante várias décadas, muitos os interpretam ( erroneamente a meu ver ) como se a Constituição americana, sob o princípio da liberdade comercial,  amparasse o que as empresas de Planos de Saúde praticavam e resultava na exclusão, de fato, do sistema, de cerca de 32 milhões de norte americanos.

Ao aprovar a reforma o Partido Democrata optou pela “igualdade”, diante da “liberdade” comercial, contrapondo-se, na verdade, sob esse aspecto, as ideologias da esquerda e da direita  (valendo lembrar, a propósito, a identificação que  BOBBIO  sugere, da direita com a prevalência da liberdade e da esquerda com a predominância da igualdade)

A discussão que se travará na Corte Suprema girará em torno de uma interpretação essencialmente ideológica de uma norma constitucional e não sobre o teor em si de uma norma, já que não há dispositivo constitucional algum que expressamente proíba que a Lei determine a adesão compulsória das pessoas aos planos de saúde, como a Reforma agora impôs.