A NOVA CIRANDA FINANCEIRA
No Relatório Trimestral de Inflação de março, o Banco Central brasileiro calcula que a variação central do IPCA acumulada nos 12 meses de 2010 se situe em 5,2%, projeção que está 0,7 ponto acima do centro da meta de 4,5% para o ano.
Quererá isso dizer que a taxa de juros deve ser elevada, na próxima reunião do COPOM, ou que não deve haver aumento dos juros, pois isso significará, apenas, dar mais força a um círculo vicioso ?
A política monetária, posta em prática pelos bancos centrais, consiste, como se sabe, na fixação da taxa de juros, para evitar a inflação e garantir a estabilidade dos preços.
Isso é normal, porém, apenas, em países que não tem, como nós temos, uma correção monetária residual crescente que atua, grosso modo, em cerca de 30% da Economia.
A indexação brasileira – uma verdadeira Hidra de Lerna, cujos tentáculos, se não forem todos extirpados, renascem a cada ciclo – reduz a elevação da taxa de juros a um sofisticado ajuste de contas.
Senão, vejamos:
A inflação é medida por um índice ( que é um dado, digamos assim, do plano do ser ) e os juros são fixados através de uma taxa ( do plano do dever ser ).
O índice de inflação, contudo, e a taxa de juros, embora de planos diversos, são, ambos, um efeito do decurso do tempo.
Podemos dizer, assim, que tanto faz, para o credor que o decurso do tempo gere juros ou gere correção monetária, razão porque os interessados podem trabalhar livremente, ora para aumentar os juros, ora para aumentar a inflação, porque eles ganham sempre, em qualquer caso, nas duas pontas.
Precisamos atacar, portanto, o que nos torna diferente dos outros países, que não tiveram a correção monetária plena e não conhecem a residual.
Podemos continuar a ter uma política monetária baseada na fixação da taxa de juros, que busque a estabilidade dos preços, mas não devemos insistir em conviver com a indexação residual que sobrevive nas brechas criadas pelas inúmeras ressalvas do Plano Real.
