ESQUERDA E DIREITA

O principal editorial de hoje de “O Estado de S. Paulo”, sob o título “O polêmico ano 1 de Obama”, refere-se, expressamente, à extrema direita americana, ao escrever:

“Ele ( Barack Obama ) não deu o peso devido à rearticulação republicana sob o comando da extrema direita na mídia convencional e na blogosfera”.

O reconhecimento da influência da extrema direita – e não apenas da direita – sobre a mídia americana, que tem reflexos, a meu ver, aqui no Brasil, e em outros países, evidencia como ficaram rapidamente ultrapassados os que alardeavam que a dicotomia esquerda versus direita tinha desaparecido. Os que assim pensavam acreditavam que a História tinha acabado, com a vitória do ocidente liberal sobre o resto do mundo, o que, efetivamente, não ocorreu.

A divisão esquerda/direita continua viva e é compreensível que ela subsista; grave é o acirramento das disputas, provocado pelas pontas extremas dessas duas ideologias .

Não obstante tendam,  ambas,  ao sectarismo, a extrema direita e a extrema esquerda são diversas: a extrema direita propicia as guerras, após as quais a extrema esquerda surge. O caso do Camboja é exemplar: depois da guerra o país caiu nas mãos de uma ditadura de extrema esquerda, que decidiu acabar com a classe média, promovendo a matança de pessoas pelo fato, apenas, de serem remediadas.

Os Estados democráticos, que atualmente têm normas que impedem o ressurgimento do nazismo e do fascismo, devem precaver-se, também, contra essas manifestações extremadas, de natureza  político-ideológica, para impedir, com base na Lei, que prosperem as ações e práticas extremistas.


FAROESTE

Segundo informa reportagem de PEDRO DANTAS,  do jornal O Estado de S. Paulo de hoje, sob o título “MP investiga recompensa por assassinos de sargento”, o Clube de Cabos e Soldados da Polícia Militar do Rio de Janeiro  preparou um cartaz, oferecendo uma recompensa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais ) para quem entregar “VIVO OU MORTO”, os assassinos do sargento WILSON ALEXANDRE DE CARVALHO morto a tiros,  no domingo, a mando de traficantes do Estácio.

A Sub Procuradoria de Direitos Humanos do Ministério Público do Estado, a Comissão de Direitos Humanos, na Assembléia Legislativa e a Ordem dos Advogados do Brasil, seção regional, estão tomando medidas para evitar esse retrocesso, que nos faz voltar ao tempo do faroeste, dos filmes a que assistíamos em nossa infância.

Que esse evento sirva de alerta ao Poder Executivo local, responsável por prestigiar os setores matadores da polícia estadual.


A CHINA E OS OUTROS “BRICS”

O crescimento do PIB chinês no ano passado, de 8,7% ao ano, em plena crise financeira mundial, foi extraordinário e está sendo justamente celebrado, não sendo nem de longe igualado por qualquer outro BRIC que têm, contudo, sobre a “colega”, uma enorme vantagem, já que são Estados democráticos, o que não acontece com a China.

A China, com o seu “socialismo de mercado”, conseguiu superar um gargalo que sempre atrapalhou a economia marxista, que propugna por uma centralização que torna a circulação das informações muito difícil; mas ela deverá tornar-se, mais cedo ou mais tarde, uma democracia, o que vai lhe custar tanto mais trabalho quanto mais ela retardar essa virada.

Quando vaticino a futura democratização da China não estou partindo de uma idéia antiga, segundo a qual o liberalismo econômico tenderia a produzir o liberalismo político:  nem estou considerando que o regime chinês seja capitalista.

Creio que a democracia é a forma mais viável de organização estatal, na qual podemos escolher aqueles que vão mandar em nós, dispondo sobre as nossas vidas, liberdade e propriedade.

Nem se argumente que o povo chinês não tem gosto pela democracia. Do povo brasileiro, do povo russo e dos indianos dizia-se o mesmo, há pouco tempo atrás, e temos aí os outros três Bric’s com Parlamentos independentes em funcionamento, permitindo que os cidadãos digam o que quiserem – se não for crime – de seus dirigentes.

O episódio recente da desavença do GOOGLE com o governo chinês mostra as dificuldades que a China vai ter, cada vez mais, para proibir a veiculação de notícias que, eventualmente, não agradem às classes dirigentes.

Não é questão, apenas, de a empresa obedecer às leis: a Constituição precisa assegurar o acesso à comunicação, sem o qual o socialismo de mercado, mesmo ele, vai, rapidamente, entrar em crise. A democracia é um trunfo para a Rússia, para a Índia e para o Brasil; espero que ela possa ser uma credencial, também, para a China.


A POBREZA INCOMODA

As catástrofes naturais do Haiti, de Nova Orleans e de Angra dos Reis, por mais diferentes que tenha sido sua intensidade, revelam uma coisa em comum: como a pobreza nos incomoda, aos que somos ricos. Certas decorrências, diretas ou indiretas,  da pobreza – como as guerras internacionais ou civis – constituem, também, hoje, por sua vez, terríveis incômodos.

Afirma o economista JEFFREY SACHS que a Humanidade  conseguiria, se quisesse, acabar com a pobreza absoluta no mundo. O fato, porém, é que ela parece não querer…

Será que algumas pessoas têm medo de que o fim da pobreza vá se fazer às custas dos ricos ?

Ora, acabar com a pobreza não quer dizer, apenas,  conferir maior poder aquisitivo a quem pode, hoje, comprar pouca coisa: quer dizer, isso sim, inserir um número cada vez maior de seres humanos num tipo de organização em que o dinheiro tem uma presença mais marcante do que a lei.

Se admitirmos que a moeda e a lei têm, ambas, uma função social semelhante – que é disciplinar as condutas humanas na sociedade – podemos concluir que tanto os ricos como os pobres estão sujeitos, igualmente, às mesmas leis, já que todos somos iguais perante as leis. Por que não sermos todos iguais, também perante a moeda ?

Dir-se-á que essa igualdade é formal e não material, o que é verdade: trata-se, com efeito, de uma igualdade formal, porque ela é uma igualdade jurídica, do plano das normas, que pode, ou não, coincidir com uma igualdade “real”, que varia a cada momento.

O uso do dinheiro como fator de organização social não significa, enfim, retirar a riqueza de ninguém: quer dizer, apenas, que os ricos devem providenciar para que os miseráveis e os pobres sejam incluídos, o mais rapidamente possível,  nas suas respectivas ordens monetárias.


PAIXÃO POLÍTICA

O problema dos desaforos públicos nas campanhas políticas é que eles “colam” nos ofendidos.

Eu, por exemplo, fiquei achando que a ministra DILMA é mentirosa e dissimulada e que o senador SÉRGIO GUERRA é babaca.