O QUE NOS DÁ SEGURANÇA

As sensações de insegurança, e de segurança, podem ser criadas artificialmente, gerando alguns votos a mais para os políticos eventualmente no poder.

O que nos dá, contudo, segurança, é uma ordem jurídica bem estruturada, aí compreendida uma razoável distribuição de renda.

A política de segurança pública dos governos não pode, portanto,  prestigiar ações ilegais, como os chamados “confrontos” e “enfrentamentos” que, aliados a “autos de resistência” oficializam o extermínio de bandidos ( e de supostos bandidos ) num ambiente constitucional que não admite a pena de morte nem permite que alguém seja punido sem o devido processo legal.

Com o auxílio da mídia  o governo local consegue passar para uma parcela da sociedade uma sensação ilusória de segurança que não só corre o risco de se desfazer, de um momento para o outro, diante de um evento inesperado, como pode levar a um retrocesso na ordem jurídica estadual, comprometendo, por isso, a própria segurança.


VIOLÊNCIA ILEGÍTIMA

O Arcebispo do Rio de Janeiro, ao ensejo do Natal, divulgou mensagem contra a violência em geral que, a meu ver,  é ilegitimamente praticada pelos bandidos, pelas milícias e pelas próprias autoridades  do Estado, estas últimos encarregadas de exercer, em  nosso domínio territorial de validade, apenas a violência legal.


CANTO DE VITÓRIA

Quanto vejo o governo estadual do Rio de Janeiro querendo passar a imagem de vencedor na sua luta contra o crime, lembro-me do ex-presidente BUSH, ostentando uma farda militar, comemorando, num porta aviões, sob uma faixa em que estava escrito “Missão Cumprida”, a suposta vitória americana na guerra do Iraque.


PORQUE SUBIRÁ A INFLAÇÃO

Se a Economia brasileira, como eu acredito, funciona, na verdade, como uma espécie de “derivativo”, em que os investidores aplicam, a nossa inflação está fadada: a – a continuar alta; b – a subir, sempre,  ainda mais.

Essa anomalia, a meu ver,  perseverá até que – começando pela  extinção da TR e da SELIC – seja eliminada, por completo, a indexação residual do nosso ordenamento monetário.


A GRANDE DIFERENÇA

A desistência, por FERNANDO SARNEY, da ação que propôs contra o Estadão, é o que antigamente se chamava uma bofetada “com luvas de pelica”, e mostra como o jornal, especialmente o seu diretor de conteúdo, RICARDO GANDOUR, comportou-se mal no episódio.

Depois de ter reconhecida a idoneidade da sua pretensão em todas as instâncias o filho do ex-presidente permitiu que fosse publicado trecho de um processo que contém uma conversa de que ele participa e que, de resto, segundo as pessoas que a leram, não compromete tanto a família SARNEY quanto desejariam os seus adversários.

A democracia, baseada no Direito, tem essa característica: as pessoas podem fazer o que quiserem, mas sujeitam-se a uma pena,  se o que fizerem for pressuposto de uma sanção,  e essa talvez seja a grande diferença que decorrerá do governo LULA .

Até recentemente os brasileiros preferiam uma hipócrita, burocrática e ineficaz prevenção que supostamente nos impediriam  de praticar ilícitos.

Agora está começando a ficar diferente: podemos fazer o que nos aprouver, mas poderemos ser responsabilizados, doravante, pelo que fizermos de forma ilegal ou irregular.