Três notícias esparsas podem ser reunidas para nos ajudar a questionar o papel atual da oposição brasileira: 1 – a crítica do ministro TARSO GENRO ao comportamento da mídia na cobertura do caso BATTISTI, em que ele diz o seguinte: “ Há, hoje, um grande controle da mídia sobre a vida publica brasileira. É ela que faz a pauta dos partidos, é ela que faz a pauta dos parlamentos, é ela que interfere na pauta do Supremo”; 2 – a ponderação do professor REGINALDO NASSER de que “ a política externa está se tornando questão partidária” e 3 – o comentário do colunista CELSO MING, de que “ a oposição não tem discurso, não tem bandeira, não sabe o que quer”, em parágrafo que vale a pena destacar:
“ Ela ( a oposição ) não discute e não tem opinião formada sobre nenhum assunto importante da República, seja ele as novas regras para o desenvolvimento do pré-sal, a posição a ser tomada nas conferências internacionais sobre o meio ambiente, a guinada em direção a maior participação do Estado na economia, a reforma política, a reforma previdenciária ou a reforma tributária”.
É verdade que o governador JOSÉ SERRA, como ressalta MING, ensaia uma pregação “ de que essa política econômica, que supervaloriza o real e mantém os juros na órbita da lua, não presta e deve mudar”. Ocorre, porém, que SERRA não formula qualquer estratégia de transformação o que torna o seu discurso muito abstrato, como era o do governador LEONEL BRIZOLA quando falava das “perdas internacionais”, que, na época, a gente achava que efetivamente havia, mas não sabia bem de onde provinham, nem para onde foram.
Creio que os jornalistas e colunistas dos grandes jornais, com as exceções de sempre, não estão à altura das transformações pelas quais o Brasil está passando tão rapidamente, e ficam repisando em teclas que não tem mais interesse ou significado algum.
A ideologia de direita – em torno da qual, em última análise, se estrutura o discurso da oposição – supre o PSDB e o DEM de um grande painel de referências, mas que está cheio de furos, devendo-se levar em conta, ainda por cima, que SERRA é um candidato …. da esquerda.
Seria bom se alguns homens públicos, como é o caso do ex-presidente FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, deixassem de ser tão radicalmente partidários e conseguissem entender que o sucesso do presidente LULA não lhes faz sombra ( porque, em grande parte, decorre de uma boa herança que lhe foi deixada ) e procurassem formular críticas políticas coerentes, tentando melhorar o que, inegavelmente, ficou muito melhor do que antes, tal como afirma o discurso ufanista do PT de que “nunca neste país, etc ”….
A oposição não precisa fazer uma crítica construtiva; nem é esse o seu papel: mas não pode seguir a reboque do que pensam os “leitores do GLOBO” que, na verdade, refletem, mal, sobre o que dizem colunistas em sua maior parte medíocres.
Um debate elevado, entre governo e oposição, seria muito bom, para orientar a opinião pública brasileira quanta à sua melhor escolha para presidente ( ou presidenta ) no próximo ano de 2010.