DROGAS & CORREÇÃO MONETÁRIA
Lembro-me do que disse um antigo vizinho meu , coronel médico da Aeronáutica, LAURO DE AMORIM MOURA, sobre as transformações decorrentes das mudanças de certas crenças em torno de cuja manutenção tantas pessoas giram, durante tanto tempo.
Ele falava da bruxaria, do fim do crime que era praticado pelos bruxos,que deixou de existir, dos empregos e das convicções que desapareceram , o que me faz pensar no que ocorrerá quando ficar totalmente desmoralizada a atual war on drugs e, finalmente, for extinta, por completo, a correção monetária residual brasileira, tão presente, ainda, em nossos Direito e Economia.
A guerra às drogas ocupa, direta e indiretamente, muita gente, é objeto de longos estudos em cursos de policiais, inspira filmes – alguns ótimos, como Operação França e Traffic, por exemplo – justifica viagens internacionais, é motivo de conversa entre as pessoas e de notícias de primeira página dos jornais. Quando ela for relegada ao plano, que merece, do esquecimento, qual será o destino de tudo isso ?
O mesmo acontece com a correção monetária que ainda é aplicada, diariamente, centenas de milhares de vezes, por juízes cíveis e trabalhistas, tratada por advogados públicos e privados, causa da criação de serviços de cálculos e similares, ganha pão de peritos e contadores, matéria prima dos famigerados Precatórios – geradora de uma clientela imensa que, pura e simplesmente, irá para o espaço, quando ela acabar.
Os casos da bruxaria, da correção monetária e da guerra às drogas são diferentes, porque, mesmo com o fim da atual perseguição “bélica” os tóxicos continuarão a ser objeto de preocupação, para evitar que as pessoas se droguem e cometam os desatinos associados a esse hábito, que continuará moralmente condenável.
A extinção total da indexação, porém, como aconteceu com o fim da bruxaria, não vai deixar seqüelas.
