EM CIMA DO MURO

Em seu artigo de hoje no GLOBO – diferente do publicado por ele no Estadão – o colunista LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO utiliza o seu espaço na mídia para passar um importante recado ao PSDB: o partido era bem melhor quando ficava observando os fatos de cima do muro.

Na verdade, é de lascar defender a tese – da direita latino americana – de que é preciso um “golpe corretivo”, como o de Honduras,  para que um governo de fato truculento contenha o “perigo da venezualização”.

A nossa imprensa já está tratando  o ROBERTO MICHELETTI como presidente de “facto” de um governo “interino”, o que é algo diferente de um governo “golpista”. Daqui para chamá-lo de governo de “transição” será um passo.

Interino significa passageiro, mas tem o sentido de algo oficial, o que não é ocorre na espécie. Houve um golpe de Estado em Honduras, e a Embaixada do Brasil está cercada, o que é uma violência contra a dignidade de nosso País.

Espero que o PSDB  volte para o local onde se encontrava,  nos tempos de FHC, e abandone alguns companheiros de partido  e falsos aliados, que, a meu ver, descaracterizam a legenda.


1 comentário até agora

  1. flavio setembro 29, 2009 10:52 am

    No caso de Honduras, parece-me claro que todos os lados externos envolvidos não estão endereçando o ponto principal, que houve um golpe e deve ser feitas gestões efetivas para a volta da democracia em Honduras. Como a questão é interna, provavelmente através de diplomacia.

    Os que aceitam o regime como transitório erram porque claramente o objetivo do regime foi um golpe e é baixa a chance que não queira se perpetuar no poder.

    Os que promoveram a volta do Zelaya ao país da forma que foi feita erraram porque o objetivo era um contra-golpe, utilizando eventualmente a força e a presença dele, o que poderia levar a uma guerra civil.

    Não existe solução fácil na questão de Honduras, o governo brasileiro não tinha outra opção a não ser oferecer exílio, mas parece-me uma daquelas situações que fica difícil apoiar qualquer dos lados e que fica difícil acreditar que existe um plano sério para restaurar a democracia.

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