CONTRA O NACIONALISMO DA ESQUERDA BRASILEIRA

Ao criticar, de forma sarcástica,  o “nacionalismo” dos Fundos Soberano e Social que o presidente LULA  estava pretendendo – e provavelmente ainda pretende –  alimentar com os recursos provenientes do pré sal o governador SÉRGIO CABRAL, embora em nome dos interesses orçamentários do  Estado do Rio de Janeiro, desrespeitou um dos ícones da esquerda brasileira


REFLEXÕES ( IX )

Uma das preocupações atuais é preencher com conteúdo físico coisas que não são propriamente coisas e que, por isso mesmo, não têm conteúdo real.

Trata-se de uma falácia naturalística, que comprova  um dito antigo muito engraçado – embora, talvez, politicamente incorreto – que define as sugestões da metafísica como sendo lições de  um professor cego, ensinando a uma turma de alunos cegos a procurar num quarto escuro um gato preto …. que não existe !


REFLEXÕES ( VIII )

Os pensamentos de PASCAL, os ensaios de MONTAIGNE, os aforismos de NIETZSCHE, e tantos outros do gênero, eram os posts dos Blogs de antigamente.


A QUEM INTERESSA A INFLAÇÃO NO BRASIL ?

A resposta direta a essa indagação é fácil: aos especuladores em geral, na medida em que a inflação, através da correção monetária, transforma-se numa taxa ( de indexação ) que se transmuda em juros, mantendo estes elevados, a despeito de tudo que o Banco Central faz em sentido contrário, e desvaloriza o dólar, por causa do afluxo da moeda estrangeira em busca de rendimentos sem risco.

Vale a pena decompor o período acima:

a ) – a inflação brasileira interessa ao especulador;

b ) – as taxas de indexação ( os chamados indexadores ) são intercambiáveis com as taxas de juros,

c) – é por isso que as taxas de juros, por mais que o Banco Central as reduza, enquanto mantidos os indexadores, continuarão sempre altíssimas no Brasil;

d) – é por isso, também ( embora não seja essa a única causa ) que o Real está sendo valorizado diariamente, diante do dólar, pois os investidores transferem seus créditos para o Brasil, valendo-se da diferença entre os juros internacionais e os nossos para embolsar lucros.

Surge, então, a outra pergunta: porque não se acaba com isso ?

Ou melhor, quem não permite que seja extinta a indexação residual que sobreviveu ao décimo quinto aniversário do Plano Real ? Que órgãos defendem os interesses dos investidores ?Serão os bancos?

Essas reflexões me ocorreram ao ler  hoje, no Estadão, a reportagem de MÁRCIA DE CHIARA, sob o título “ Na contramão do mundo, inflação resiste no Brasil – presença forte de indexadores nos cálculos de reajustes no País mantém índices de preços em alta”, que, dentre outros tópicos, transcreve a seguinte opinião do professor HERON DO CARMO, da USP sobre o tema:

“ A inflação ao consumidor para este ano poderia ser quase um ponto porcentual menor se não fosse o peso da indexação”.

Segundo o professor HERON, sem a indexação – isto é, diz ele, sem o mecanismo de reajuste que atrela os preços à variação de outros preços numa espécie de efeito dominó – o IPC-FIPE (que ele ajudou a apurar durante cerca de duas décadas ) projetado em 4,2% para 2009, poderia cair para algo em torno de 3,5%.

Só os preços administrados, como a energia elétrica, água e outros serviços de utilidade pública, que têm alguma indexação, pesam cerca de 20% nos IPCs. Além dos preços administrados a indexação que existe nos salários, especialmente no caso de aposentados e pensionistas da Previdência Social, “criam demanda e, com isso, uma certa resistência à redução no nível de preços.”

Por sua vez, o Coordenador do Índice de Preços ao Consumidor Semanal da FGV, PAULO PICCHETI, concorda com essa tese, apontando, também, a indexação como fator de resistência da inflação no Brasil, apesar da pequena desaceleração apurada nos últimos meses pelos índices de preços ao consumidor, afirmando que o grande peso na blindagem contra deflação, em nosso País, tem sido a correção monetária, baseada nos IGPs do passado.

Esse filme, como se diz vulgarmente, nós já vimos no passado, antes do Plano Real, e ele está sendo exibido de novo.

A minha torcida é de que o presidente LULA, para fazer frente à SERRA – que diz querer baixar os juros –  seja obrigado, até o ano que vem, a acabar com a indexação residual, para facilitar a vida do candidato ( ou candidata ) que lançar à presidência.

Razões para fazer isso ele tem de sobra.