ALÉM DE PERVERTIDO, FALSO
O argumento de que a tortura ajuda o inquisidor a obter informações do inimigo, capazes de salvar vidas no campo amigo, além de pervertido – porque tenta justificar a tortura, que é uma perversão – é também falso, como demonstra ALI SOUFAN, no artigo “A tortura não ajudou a segurança nacional”, escrito, originalmente, para o New York Times, cuja tradução foi publicada hoje no Estadão.
O autor do texto, que foi agente especial da CIA com funções de supervisão de 1997 a 2005, afirma que a descoberta da identidade de inúmeros terroristas ocorreu antes do emprego das técnicas de tortura aplicadas pelo governo BUSH a partir de agosto de 2002.
Demonstra ALI SOUFAN que os métodos tradicionais de interrogatório são mais eficientes do que os que dependem da tortura, mesmo porque o suspeito torturado é levado, muitas vezes, pelo pavor, a dar informações erradas, ou a não conseguir esclarecer coisa alguma.
A tortura, portanto, é empregada por pessoas desumanas, que não podem deter qualquer parcela de autoridade e devem, por isso, ser denunciadas e punidas em todas as hipóteses, seja qual for o tempo que tenha transcorrido desde a prática de seus atos.
