O jornais brasileiros publicaram, hoje, a tradução de dois textos, respectivamente de PAUL KRUGMAN, no New York Times – intitulado “Política financeira do desespero” - e do presidente OBAMA, chamado “Momento de ação global”, escrito originalmente para o GLOBAL VIEWPOINT.
Segundo o prêmio Nobel de Economia, PAUL KRUGMAN, os pormenores do plano de salvamento dos bancos, apresentado por TIM GEITHNER, foram decepcionantes, outra coisa não sendo senão uma reedição, requentada, do que era feito no governo BUSH. Ele é contra a tentativa do governo americano de usar a “capacidade e experiência de mercado” para estabelecer o valor dos chamados “ativos tóxicos”, acrescentando, em outras palavras, que os executivos do setor financeiro não são lá muito confiáveis, de modo que, da perspectiva do contribuinte, seria melhor estatizar temporariamente os bancos.
Já o texto do artigo do presidente BARACK OBAMA, dirigido, principalmente, aos chefes de Estado que estarão reunidos na cúpula do G-20, que se realizará em Londres, no início do mês de abril, demonstra que a opção pela não estatização dos bancos dos americanos não pode ser confundida com inação nem merece uma crítica ideológica.
A principal declaração de OBAMA, do meu ponto de vista, é a seguinte:
“ Todos os mercados devem ter normas de estabilidade e um mecanismo de transparência”.
Ao pregar a submissão dos mercados à ordem jurídica – dizendo que “todos os mercados devem ter normas” – o presidente OBAMA contesta, frontalmente, a doutrina neo liberal e neo conservadora de liberalização total do sistema financeiro ( que o mega investidor GEORGE SOROS batizou de “fundamentalismo de mercado) e vigia até há pouco. Além disso, pregou o presidente norte-americano o respeito ao princípio jurídico da estabilidade dos preços que, juntamente com o princípio do valor nominal, é uma das regras básicas do Direito Monetário nacional e internacional.
Há inúmeras outras declarações extremamente importantes no artigo “Momento de ação global”, apontando numa direção correta, diante das quais a preocupação de KRUGMAN, de que os executivos privados continuem no comando das instituições financeiras pode ser minimizada.
Embora eu não tenha nenhum temor de que os bancos sejam estatizados – porque eles lidam com o crédito, que provém da moeda, radicalmente estatal – entendo o receio do governo norte americano de alterar, completamente, o atual regime de administração privada, que caracteriza o enorme e complexo sistema monetário americano atual.
O presidente OBAMA critica, em seu texto, os desmandos praticados por alguns executivos financeiros, mas isso não significa que todas as pessoas que lidam com as coisas do mercado de capitais sejam, intrinsicamente, desonestas. Antes elas são, em geral, empregados capacitados, que conhecem os difíceis caminhos do crédito e do dinheiro, e a sua experiência deve ser, sim, aproveitada.
As conclamações do presidente BARACK OBAMA, em seu artigo publicado no Global Viewpoint, despertaram-me, portanto, a esperança de que o próximo encontro do G-20 produzirá regras capazes de disciplinar adequadamente o regime financeiro internacional, a partir do fato de que o governo dos Estados Unidos, em grande parte diante da crise monetária em que está mergulhado, participará das reuniões em igualdade de condições com os outros países – inclusive o Brasil e os outros emergentes – e que estará sendo dada a partida para uma saudável reformulação do sistema internacional de valores, que importará na negação do “capitalismo caótico e impiedoso”, mas evitará o retrocesso a uma “economia dirigida por um governo opressor.”