A MOEDA ÚNICA E A CRISE INTERNACIONAL
Em matéria recentemente publicada a revista “Time” relacionou aqueles que seriam, a seu ver, os 25 maiores culpados pela atual crise monetária internacional que foram, depois, classificados, em ordem decrescente de responsabilidade, pelos votos dos leitores, e são os seguintes: Ângelo Mozilo, Phil Gramm, Allan Grenspan, Christopher Cox, Consumidores americanos, Hank Paulson, Joe Cassano, Ian Mc Cartthy, Frank Raines, Kathleen Corbet, Dick Fulad, Marion e Herb Sandler, Bill Clinton, George W. Bush, Stan O’ Neal, Wen Jiahao, David Kereah, John Devaney, Bernard Madoff, Lew Ranieri, Burton Jablin, Fred Goodwin, Sandy Weil, David Olesson e Jimmy Carvne.
Diz, a certa altura, a matéria da Time:
“As civilizações modernas dão aos estados o monopólio da punição. Mas, como essa crise revela claramente, estamos em uma nova era. A lei foi incapaz de colocar ordem no terreno perigoso para onde nos conduziram a tecnologia financeira e a globalização, um espaço sem fronteiras e com poucas regras. Até que isso ocorra, sempre nos restará a velha sanção de impor a vergonha aos culpados.”
A revista tem razão, mas apenas em parte. Não é que a lei não tenha sido capaz de colocar em ordem o “sistema” monetário internacional: mas, isso sim, que ainda não existe lei nesse sentido.
As moedas são, até hoje, fenômenos nacionais: e é preciso ser criada, com rapidez, uma ordem monetária internacional, com a instituição de bancos centrais regionais, com poder de emitir dinheiro e de controlar a Economia.
Os europeus, que têm uma bem sucedida experiência de moeda supra nacional, estão pensando em sugerir, ao Grupo dos 20, a criação de entidades internacionais de fiscalização do mercado de crédito globalizado. A forma mais eficaz, contudo, a meu ver, de instituir um controle da circulação do dinheiro entre os diversos países é criar bancos centrais regionais, como um passo para criar, daqui a algum tempo, um Banco Central Internacional.
Poder-se-á dizer que o Federal Reserve americano foi incapaz não só de controlar a crise financeira como sequer, de prevê-la, e que isso seria uma demonstração de que a centralização da emissão de moeda não é suficiente para organizar um sistema financeiro, nacional ou globalizado.
O Fed, com efeito, foi ineficiente, porque defendeu duas posições basicamente erradas: por um lado, pondo em prática uma ideologia “fundamentalista de mercado”, reduziu, ao máximo, a sua função fiscalizadora, e não a estendeu a empresas que deveriam ter sido enquadradas; por outro lado, porque não foi suficentemente rigoroso na preservação do princípio do valor nominal, deixando correr soltos os “derivativos” e os juros “flutuantes”, que são medidas de caráter valorista.
Não adianta querer buscar culpados, e tentar puní-los perante a opinião pública.
Agora mesmo, a colunista MAUREEN DOWD, do New York Times, escreveu um artigo devastador – exagerado, a meu ver – evidenciando que a cultura dos participantes do mercado financeiro não muda, a despeito da pressão do governo e da sociedade para que isso aconteça.
A questão, enfim, não é apenas ética, nem apenas política. Ela é um problema jurídico: o dinheiro é um fator de organização social, assim como a lei. Ele será bom, ou mau, segundo o uso que lhe dermos.
A minha sugestão é que aproveitemos o impacto dessa crise e caminhemos para a criação de moedas únicas regionais, uma delas a nossa, da América do Sul, que bem poderia, como proponho há algum tempo, denominar-se “SUR“.

Aparentemente o BCE será menos eficiente do que o FED para retirar a Europa da crise. Saberemos em breve… Os banco regionais podem ser uma boa idéia, mas ainda precisarão de mais tempo para amadurecer.