O “SMART POWER” E UMA VELHA ANEDOTA
Ao ler a entrevista do professor ANDREW BACEVICH, que ensina Relações Internacionais na Universidade de Boston, lembrei-me de uma velha anedota: do aluno que estava fazendo um exame náutico de marinharia, para quem o examinador perguntou:
- Se o seu barco ainda não estiver atracado no porto e cair uma tempestade, o que você faz ?
Ao que o aluno respondeu:
- Jogo uma âncora.
- E se acontecer uma outra tempestade ? – indagou o instrutor.
- Jogo uma outra âncora – disse o examinando.
- E no caso de ocorrer mais uma tempestade ?
- Jogo mais uma âncora.
Meio irritado, o instrutor quis saber:
- Onde é que você vai arranjar tantas âncoras ?
Foi quando o aluno, respeitosamente, explicou:
- No mesmo lugar em que o senhor arranja tantas tempestades.
Questionado, na entrevista, sobre o “smart power”( poder inteligente ) o professor BACEVICH disse o seguinte:
“ Bom, “smart power” é um bom slogan, mas ainda não sabemos o que significa exatamente. E não podemos falar de segurança nacional sem pôr a situação econômica em perspectiva. Seria natural que o “smart power” envolvesse assistência econômica e desenvolvimento em países de conflito – mas de onde virá o dinheiro para isso ? “
Aí é que cabe a lembrança da anedota, pois a melhor resposta a essa pergunta, sem dúvida, seria:
“O dinheiro virá do mesmo lugar de onde ele está saindo para ajudar os bancos”.
Na verdade, os recursos necessários para promover, através do dinheiro, uma melhor organização nos países em conflito – onde a miséria ainda não foi erradicada – são de pequena monta, correspondendo a menos de 1% ( um por cento ) do que os governos dos países ocidentais estão gastando para enfrentar a respectiva crise monetária.
A questão levantada pelo professor ANDREW BACEVICH, portanto, é um falso problema.
Não falta dinheiro para acabar a miséria absoluta e, com isso, reduzir o risco de guerras localizadas e de ações terroristas.
O que falta é a chamada “vontade política”.
