DIREITO, ECONOMIA & LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS
Na mesma linha do prêmio Nobel de Economia GARY BECKER, o juiz federal americano, ROBERT SWEET, numa entrevista à socióloga JULITA LEMGRUBER, hoje publicada no Globo, defende a legalização das drogas, com base em argumentos da Análise Econômica do Direito.
Segundo ROBERT SWEET, a política de guerra às drogas – iniciada no governo NIXON – “vem custando uma média de US$ 17 bilhões anuais ( e ) é um fracasso do ponto de vista do custo-benefício ( isso ) porque a criminalização do uso da droga tem sido ineficaz para mudar condutas, e acredito que lidar com as drogas como uma questão de saúde pública é a única solução viável.”
Legalizar as drogas não é liberalizar as drogas, ao contrário: o que o Juiz SWEET propõe é o seu controle, “exatamente como o álcool”, esclarecendo:
“Para serem comercializadas, devem ser taxadas e reguladas. Deverá haver restrições em relação aos lugares e horários em que as drogas poderão se vendidas e, obviamente, não poderão ser vendidas a menores. Além disso, deve haver campanhas de educação pública esclarecendo sobre os problemas do uso das drogas.”
O fracasso econômico –digamos assim – da atual política norte-americana ( e, por imitação, brasileira ) do war on drugs é demonstrado pelo juiz SWEET com a seguinte argumentação:
“Estima-se que o mercado de drogas, nos EUA, gire em torno de US$ 150 bilhões por ano. Hoje temos a maior taxa de encarceramento no mundo ocidental, ao custo de US$ 20 bilhões por ano. Processos relativos a drogas na Justiça federal americana triplicaram em dez anos. Enquanto nossos gastos com a guerra contra as drogas tiveram um aumento enorme, o uso de drogas permaneceu relativamente constante: continuamos a ter cerca de 40 milhões de usuários. Nossa política de proibição das drogas fracassou redondamente, sem que fosse devidamente questionada.”
A entrevista do juiz ROBERT SWEET é uma importante contribuição ao movimento de legalização das drogas no Brasil, especialmente no Estado do Rio de Janeiro, onde a política perversa, primitiva e retrógrada do governo estadual, , capitaneada, com finalidades eleitoreiras, pelo próprio governador, e levada a cabo pelo Secretário BELTRAME, parece inamovível – aparentemente porque, assim como para o ex-presidente BUSH, o certo para os governantes fluminenses é o que eles acham que está certo.
