DIÁLOGO DIRETO EUA-IRÃ

A nova embaixadora dos EUA na ONU, SUSAN RICE, segundo os jornais, declarou ontem que o governo americano proporá uma “diplomacia direta” com o Irã, o que é uma excelente notícia.

A política anterior de isolamento diplomático do Irã, além de ter resultados práticos ineficientes, era uma preliminar para a guerra que os belicosos dirigentes do Estado de Israel, há tempos, queriam desencadear, e na qual os Estados Unidos evidentemente se engajariam, provocando um morticínio brutal.

Na medida em que o Irã tiver a garantia de que não será atacado militarmente ele poderá administrar melhor o seu programa nuclear retardando, ao máximo, a temida transformação da sua declarada intenção pacífica em guerreira.

Contido o Irã, através do diálogo, os EUA, na qualidade de maior potência militar mundial, precisam, em seguida,  liderar os entendimentos para regular a questão nuclear internacional, impedindo que se alastre a criação de novos Estados com a bomba atômica, disciplinando os atuais.

Há muita coisa, ainda, a fazer, para que o mundo possa viver em paz !


QUEM TEM MEDO DA ESTATIZAÇÃO DO CRÉDITO ?

Se a moeda nacional é estatal porque temer, então, a estatização do crédito ?

A moeda encontra-se, estruturalmente, em nível superior ao crédito, pelo que não há, teoricamente, maiores riscos em estatizar, definitiva ou provisoriamente, o crédito, o que pode ser  uma forma de superar a crise financeira atual.

Mas difícil será universalizar a moeda – o que, contudo, a meu ver, se impõe – criando-se um Banco Central mundial para emiti-la.

Tenho afirmado que a instituição desse Banco Central internacional deveria ser feita paulatinamente, através da criação, primeiro, de bancos centrais regionais, a exemplo do Banco Central europeu, que emitissem moedas únicas.

Talvez não haja prazo suficiente, contudo, para que tal ocorra, a tempo de enfrentar a crise, o que tornaria necessário partir-se, imediatamente, para a fase final, implantando-se, desde logo, a moeda única.

Poderia ser convocada uma Conferência internacional para discutir a criação da moeda única mundial.

Os países ricos, logo se entenderiam entre si, e com os países emergentes.

Como resolver, porém, a situação dos países pobres ?

A idéia de moeda vem sempre associada à noção de riqueza pelo que a criação de um dinheiro único universal esbarraria na existência de países miseráveis e pobres, cujas populações não têm poder aquisitivo.

A moeda, porém – assim como a Lei – não é riqueza, mas uma modalidade, menos violenta, de organização da sociedade.

O dinheiro internacional poderia ajudar, portanto a organizar, a curto prazo, as nações pobres, independentemente do maior ou menor poder aquisitivo de seus habitantes.

Podem ser apenas ideológicos os obstáculos à solução da atual crise financeira internacional 


UM BOM COMEÇO

 

Pode parecer uma questão menor; mas a determinação do atual governo de reduzir a burocracia – acabando, por exemplo, com um grande números de casos de reconhecimento de firmas e de autenticação de documentos – é um bom (re) começo.

Há uma série de exigências desse tipo, que apoquentam o público, e oneram o chamado “custo” Brasil. Elas vêm de longo data, partindo, em geral, do princípio de que o povo “colonizado” não merece confiança, mas acabam servindo, apenas, de freio ao desenvolvimento das atividades das pessoas.

Outro procedimento que deveria ser extinto é o dos chamados Precatórios que, como a jaboticaba, só existem no Brasil.

As condenações  judiciais têm que ser pagas, e ponto.

Para prevenir eventuais fraudes – que ocorriam, ao que consta, na primeira República – criou-se um sistema complicadíssimo, do qual resultou, de um lado, o retardamento do pagamento das sentenças pecuniárias e, de outro, a instituição de um esdrúxulo mercado de papéis de alta remuneração.

É interessante perceber como os dirigentes petistas, considerados, tradicionalmente, uns burocratas, estão percebendo a necessidade de simplificar a vida da população, compreendendo que medidas como essas podem ser um instrumento útil de promoção do crescimento econômico.

 


A CARA DA CRISE

A entrevista de ARMÍNIO FRAGA, hoje, ao jornal O Estado de S. Paulo, baseada no estudo por ele recentemente divulgado como vice-presidente do chamado Grupo dos 30 ( denominado “Um sistema para a estabilidade financeira”) ajuda-nos a delinear a cara da crise financeira, que tem o seu centro nos EUA e na Europa.

Numa linguagem muito direta – embora, contraditoriamente, expressa por meio de aparentes ambigüidades – diz o ex-presidente do Banco Central brasileiro o seguinte:

1 – Quanto ao engessamento do mercado financeiro: “A primeira impressão pode ser que o que recomendamos vai amarrar o sistema. De fato vai. Essa é a intenção.”

2 – Sobre os derivativos: “É bacana ter derivativos para tudo o que é tipo de operação, um sonho antigo dos economistas. Será que isso realmente cumpre uma função social e econômica ? Não.”

3 – A propósito da nacionalização do crédito (respondendo à pergunta se  acredita na hipótese de estatização do sistema?) : Já estão estatizando no mundo inteiro, implícita ou explicitamente.” 

Em resumo, segundo ARMÍNIO: a) é preciso regular os mercados financeiros, mesmo que daí resulte um engessamento do sistema; b) os derivativos não cumprem uma função social nem econômica; c) o crédito já está sendo estatizado, implícita ou explicitamente, no mundo inteiro.

É uma boa fotografia da crise; ou melhor:  um bom retrato das possíveis soluções da crise.