RESUMO DA ÓPERA

Pode-se ler no jornal O ESTADO DE S. PAULO de hoje o resumo do artigo que o ex-presidente de Cuba, FIDEL CASTRO, publicou o GANMA, órgão oficial do PC cubano, no qual ele, ao lado de considerações críticas favoráveis ao candidato BARACK OBAMA, demonstra continuar irredutivelmente antipático ao que diz ser o desrespeito dos EUA “pela liberdade, pela democracia e pelos direitos humanos”.

O resumo da ópera – isto é, do artigo, que tem o título “ Embargo que Obama pretende manter é genocício” – é o seguinte: o senador democrata seria um bom governante se o país de que ele pretende ser presidente melhorasse ( o que ele, FIDEL CASTRO, com larga vivência na área, crê ser muito difícil ).


POLÍTICA MONETÁRIA DE DIREITA

O presidente do Banco Central, HENRIQUE MEIRELLES, com base numa idéia do falecido senador JEFFERSON PEREZ – de que “política monetária frouxa é política monetária de direita, porque corrói o salário do trabalhador” – afirmou a uma delegação de petistas que a busca da estabilidade dos preços é uma característica dos governos de esquerda, que, “historicamente”, são os que “mais querem segurar a inflação”.

Essa constatação é muito verdadeira no Brasil que viveu trinta anos sob um regime de correção monetária automática e compulsória imposta, em 1964, por uma ditadura militar de direita que foi a extremo de transformar, de fato, a inflação em “moeda”, instituindo indexadores oficiais (como a ORTN, a OTN, a UPC, a UFIR, e dezenas de outros ) como normas capazes de “corrigir” o valor da própria unidade monetária nacional.

Através da correção monetária, e da utilização de índices e freqüências de reajustamentos diversos, os governos militares impuseram, com auxílio da inflação, uma transferência de renda fortíssima em favor das classes mais abastadas, empobrecendo os trabalhadores, o que começou a reverter, apenas, no governo SARNEY, com a edição do Plano Cruzado.

Os grandes partidos de esquerda, e de centro esquerda – PMDB, PSDB e PT – uniram-se para implantar o Plano Real, e a Desindexação da Economia, e conquistaram a atual estabilidade de preços, que tornou o Brasil um país respeitado junto à comunidade financeira internacional.

O presidente LULA está demonstrando ter a consciência de que as tentativas de aumentar a inflação visam minar o seu governo e buscam o retorno à “indexflação” – o pior que existe em matéria de tornar os preços instáveis, pois retira do governo a capacidade de por em prática qualquer política de controle monetário.

Muito oportuna, portanto, a declaração do presidente do Banco Central: a luta contra a inflação – e a indexação – deve ser uma das principais bandeiras da esquerda brasileira.


HUMOR NEGRO

A primeira página do jornal O ESTADO DE S. PAULO de hoje estampa uma foto insólita identificada de modo igualmente surrealista.

Trata-se da fotografia de um grupo de favelados olhando, horrorizados, um homem bem uniformizado colocando um cadáver num saco preto com a seguinte legenda:

“RIO: A CRUZ VERMELHA NA FAVELA”.

Num texto de página inteira, no Caderno Cidades,a reportagem esclarece:

“ ‘Situação de guerra’ leva Cruz Vermelha ao Rio”,

Ao declarar, ilegalmente, a sua “guerra “ aos bandidos, o governador do Estado desencadeou um processo do qual não mediu as conseqüências, e correu, como se vê, o risco de nos fazer, a todos, de palhaços !


AS NAÇÕES UNIDAS TAMBÉM CONDENAM O ESTADO DO RIO

Além da Anistia Internacional também a ONU, através do seu representante PHILIP ALSTON, que esteve no Brasil no final de 2007, censurou, publicamente, a política de enfrentamento do governo do Estado do Rio de Janeiro, dizendo, dentre outras coisas, o seguinte:

“A população brasileira não lutou por 20 anos contra a ditadura e adotou uma Constituição para, agora, tornar o Brasil livre aos policiais para que matem com impunidade em nome da segurança.”

Ontem à noite, numa entrevista ao vivo à TV GLOBO, o governador quis dar uma de “incompreendido” afirmando que “belicosos” são os bandidos que, durante anos, violaram os Direitos Humanos das populações faveladas, agora protegidas por seu governo.

Trata-se, evidentemente, de um argumento inaceitável.


O QUE FAZER PARA REFREAR A VIOLÊNCIA POLICIAL

O relatório da Anistia Internacional, hoje divulgado, condena a “política de enfrentamento” do governo do Estado do Rio de Janeiro, da qual vem resultando uma matança policial sem precedentes que, além de ineficaz, é um vexame para todos nós.

O mesmo relatório aproveitou a oportunidade para dar um pito no presidente LULA pelo seu contraditório apoio público a essas violações recentes dos Direito Humanos.

Sendo um homem de origem humilde, e tendo militado, durante anos, em movimentos populares, o presidente LULA deve saber avaliar bem a relevância da política de Direito Humanos, tendo-se irritado por certo, com os respingos que o atingiram e logo compreendido a má carona que pegou nessa história, do que vai resultar, sem dúvida, alguma modificação no seu relacionamento com o risonho aliado local.

O governador do Estado, por sua vez, deve sair, imediatamente, da linha de frente dessa equivocada “guerra” em que se meteu, passando o controle e a supervisão da política de segurança local a um Conselho de Justiça e Segurança, que reúna Tribunal de Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública, Procuradoria Geral do Estado e Secretarias ligadas à área de Segurança, com a responsabilidade de restaurar a legalidade da ação das polícias locais.

Não é possível que algumas poucas autoridades estaduais do alto escalão comprometam os demais membros do Executivo, dos outros poderes e os dirigentes da sociedade civil estadual, mandando matar, sumariamente, seres humanos, como se neste país existisse a pena de morte para os bandidos, e não estivéssemos todos sujeitos ao Estado de Direito e ao devido processo legal.

Esse tipo de política de “enfrentamento”, que o governo local ainda procura defender na nota lamentável que hoje divulgou, está servindo de mau exemplo para as polícias de outros Estados e tornou-se um grave fator de desmoralização do Rio de Janeiro perante entidades nacionais e internacionais de defesa dos Direitos Humanos, do nível de respeitabilidade da Anistia Internacional.