SOLIDARIEDADE

Quem já viveu sob um regime autocrático, por mais patriota ou desportista que seja, sabe bem a importância da campanha que está sendo feita a favor dos tibetanos, tendo como pano de fundo a realização das Olimpíadas de Pequim.


DESABAFO

Já estou cansado de ver os políticos da oposição brasileira engrossar a voz, com cara de fingida indignação, para falar contra o governo.

Eles são mais empafiados do que os próprios governantes, já que o presidente da República atual é um operário, e a oposição é composta, principalmente, de letrados.

Esses movimentos da oposição são um esforço para neutralizar os resultados positivos da economia, e outras boas notícias.

Eles ganham repercussão por força do facciosismo de certa imprensa, que alardeia artificialmente as declarações prestadas, sem compromisso com a isenção e a objetividade que devem caracterizar a ética de um órgão informação.

O discurso da oposição, contudo, mesmo assim, não é fácil de ser assimilado pela população, porque é muito enrolado: agora, por exemplo, eles estão acusando o governo de estar pretendendo acusá-los de eles terem feito algo condenável quando estavam no governo, o que não dá muito para entender ….


PEQUENO ENSAIO SOBRE O VALOR ( conclusão)

Este pequeno texto não é, manifestamente, um ensaio sobre a chamada Filosofia dos valores, mas tem a pretensão de ajudar a refletir sobre ela.

Os filósofos só se apoderaram da noção de valor no final do século XVIII , tendo-a desenvolvido a partir do século XIX, até que ela desembocou na axiologia ( termo forjado por volta de 1890 ) cujos estudos chegaram ao auge no período entre as duas guerras mundiais do século XX, sofrendo, após, um certo recuo.

A filosofia dos valores quer buscar – onde talvez não encontre – um fundamento arcaico e tradicional para o conceito,para o que despreza ( como se fosse feio ) o lado monetário do valor. Busca-se retroagir para o início da própria filosofia, tentando encontrar – ainda que “implicitamente” – o valor na idéia do Bem em PLATÃO. Mas, ao fazer isso, a axiologia abstrai-se do fato de que a palavra, e o conceito, surgiram apenas na Idade Média, em outro contexto histórico e social diferente da Antiguidade.

Os filósofos do valor, por isso, podem ter adotado, sem perceber, o conceito jurídico-econômico equivocado de valor de troca, que se estrutura sobre a concepção errônea de troca de ARISTÓTELS e da noção ideológica de poder aquisitivo veiculada por ADAM SMITH.

Daí, talvez, o caos que se aponta na leitura das diversas doutrinas filosóficas sobre o valor, a banalização do conceito e a vantagem de estudá-lo sob a ótima da Teoria da Norma Monetária.

BIBLIOGRAFIA

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O CRÉDITO IMOBILIÁRIO É INFLACIONÁRIO

Nem todo o crédito é inflacionário: o imobiliário, porém, no Brasil, inegavelmente o é, pelas seguintes razões:

O crédito é uma criação de valor num negócio jurídico que deve ter correspondência com a emissão da moeda pelo Estado, pelo que o controle do crédito – para não gerar inflação – depende da obediência, pelos governos, a dois princípios jurídico-econômicos: (1) o princípio nominalista e (2) o princípio da estabilidade dos preços.

A concessão dos créditos imobiliários no Brasil, porém, está regulada, hoje, por uma norma anômala e inconstitucional – a Lei n. 10.931, de 2 de agosto de 2004 – que restabeleceu, em parte, dispositivos antigo Sistema Financeiro da Habitação, autorizando a correção monetária mensal das prestações dos contratos ( vedada para outros negócios ), previu juros flutuantes e autorizou a inserção nos contratos de diversos índices de reajustamento, instituindo, dessa forma, indiretamente, uma “moeda própria” nos negócios imobiliários

Os créditos imobiliários, portanto, ao ensejar o desrespeito aos princípios do valor nominal e da estabilidade dos preços , vão gerar inflação: ou melhor, já estão gerando inflação, pois eles têm se estendido rapidamente, especialmente para imóveis de luxo. O Banco do Brasil, agora, por sinal, vai entrar nessa área, dirigindo-se aos mercados de classe média.

Essa política desastrosa já causou – e ainda causa – danos enormes às famílias brasileiras, tendo ajudado a gerar uma crise recente, da qual ainda não nos conseguimos livrar inteiramente, que deixou inúmeros “esqueletos do armário”, no montante de bilhões de reais.É triste perceber que,demagogicamente, em nome de um suposto crescimento, o governo federal esteja embarcando nessa mesma canoa.

É preciso rever, imediatamente, o descontrole inflacionário que está ocorrendo no mercado imobiliário.

Quem avisa, amigo é.