PASSANDO A LIMPO O PAÍS
O Brasil já não é mais o país do passado.
O fato, por exemplo, de termos deixado de ser os devedores internacionais que secularmente fomos – a começar pelo empréstimo tomado Praça de Londres, autorizado pelo decreto de 5 de janeiro de 1824 na importância de três milhões de libras – embora não signifique a solução de nossos problemas econômicos é um dos sinais da transformação pela qual passamos, é a demonstração de que demorou mas, enfim, viramos uma página da História.
Devemos nos olhar, portanto, doravante, não mais como um povo colonizado e ser tratados, doravante, como verdadeiros cidadãos, especialmente pela burocracia fiscal que continua a nos considerar gente de segunda classe.
Não é o caso de recriar o paradoxal ministério da desburocratização que, no final das contas, não chegou a nos ajudar muito. Mas os poderes públicos têm o dever de rever certos procedimentos que vão buscar supostas dívidas e multas, ou participações em sociedades, em arquivos passados e esquecidos e tentam nos cobrar de novo, depois de anos, com correção monetária, débitos que não prescrevem, mas que não devem durar eternamente.
É preciso remover os entulhos de uma época que já passou através de um perdão amplo e generalizado de encargos cujas cobranças nos oneram desnecessariamente e nos fazem perder um precioso tempo.
Proponho uma anistia que não consista num desrespeito aos contribuintes leais, mas que seja uma forma de passar o país a limpo nesta época de grandes transformações em que vivemos.
