BRINCANDO COM FOGO

Ficou demonstrado que o Governador Sérgio Cabral – que expôs o presidente da República ao vexame de aparecer, esta noite, num palanque oficial, ao lado do deputado Natalino Guimarães, denunciado pelo MP local como chefe de grupos de extermínio – está brincando com fogo ao lidar com as questões de segurança no Estado.

O Governador afirmara, várias vezes, que não toleraria a presença de milícias “protegendo” as comunidades pobres. Mas o fato de não ter conseguido impedir a presença do deputado suspeito de comandar essa milícia na Zona Oeste do Estado, numa cerimônia em que o principal convidado era o presidente da República, parece evidenciar sua perda de controle da situação da segurança no Rio.

O Procurador Geral da Justiça, Marfan Vieira, entrevistado, mostrou não ter gostado de ver uma pessoa denunciada por ele ao Tribunal de Justiça estar participando de uma solenidade oficial.

A reportagem da televisão deu, aliás, a entender que tal denúncia não obteve andamento rápido, o que pode ser um indício da presença do conhecido modus faciendi gerador da impunidade.

Não se sabia que o descontrole sobre a área de segurança estadual tinha ido tão longe, tornando cada vez mais difícil para o governo estadual voltar a dominar a situação.

É que a única fonte do poder do governante é a Lei.

Quando ele se subtrai à sua égide em troca de apoio político, ou de aplausos de parte da opinião pública, perde a autoridade.


A “FLUTUAÇÃO” DO DÓLAR

Pensando bem: o dólar flutua em torno do quê ?

Para que consideremos que um valor flutua ele deve estar vinculado a um ponto fixo.

No caso do dólar, qual é esse ponto fixo ?

Quem faz o dólar flutuar ?

Ou será que é o real que flutua ?

O fato é que essa queda de cotação do câmbio engloba muita especulação, e vai ter que acabar.

Ia acabar quando o dolar estivesse cotado abaixo dos 1,90. Mais tarde foi adiado o fim para quando ele estivesse abaixo de 1,80.

Agora, que ele está abaixo dos 1,70, como é que vai ser ?

Será que ao deixarmos o dolar e o real flutuarem em torno do que não sabemos bem estamos abrindo mão de fixar a taxa de câmbio que mais nos convém ?

Será que isso é ruim para nós ?

Pensemos nisso.


OS CUSTOS ECONÔMICOS DA GUERRA

A campanha presidencial dos EUA está trazendo, afinal, à tona o grande problema dos custos econômicos da guerra do Iraque que o pré-candidato republicano Jonh McCain, para agradar aos neo conservadores, insiste em dizer que vai manter.

Chega de não tocar nesse assunto, como se se tratasse de um tema anti-patriótico e de agir como se obter dinheiro para manter essa ilegal invasão fosse um problema menor.

O principal fator da atual crise econômica dos Estados Unidos é a guerra e é isso que os democratas querem mostrar agora, ao evidenciar a relação que existe entre a ameaça de recessão e as despesas com o conflito, o que o ex-candidato John Edwards bem sintetiza ao dizer:

“ As pessoas não entendem porque já gastamos 500 bilhões no Iraque. Elas terão uma escolha clara este um ano: um democrata que vai colocar um fim nisso ou o senador McCain que vai continuar a guerra.”

Vai ser difícil, mesmo para as forças irracionais que atuam nos EUA, encontrar argumentos para refutar essa constatação.


O PRESIDENTE E O ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Ao dizer, aqui no Rio, que “se porrada educasse, bandido saía da cadeira santo”, o presidente Lula deu um indireto puxão de orelhas no seu anfitrião, que, no início de sua Administração, imitando George Bush, se declarou um “governador de guerra”, e tem empregado, até hoje, as piores facções da polícia numa ilegal estratégia de combate às drogas.

O fala do presidente da República fez-me lembrar de um episódio vivido pelo ex-presidente da OAB RJ, Hélio Saboya, então Procurador Geral do Estado do Rio de Janeiro que, numa reunião de secretariado, em que alguns pregavam uma dura política de segurança de enfrentamento, comentou que se matar bandido desse certo a baixada fluminense há muito seria uma verdadeira Suiça, o que o credenciou para tornar-se, pouco depois, Secretário de Polícia Civil, cargo que exerceu com pleno respeito aos Direitos Humanos.

De qualquer forma, é auspicioso constatar o bom entendimento atual entre os governos do Estado e da União Federal, bem diferente do que acontecia nos tempos do governador Brizola, que agia como se houvesse um “cerco” à sua administração, tática seguida mais tarde pelo casal Garotinho, com prejuízo para todos nós.

A União Federal tem uma dívida institucional enorme com o novo Rio de Janeiro, Estado que resultou de uma fusão desastrosa com a antiga Guanabara, após essa ter sido esvaziada, sem compensação, de sua antiga condição de cidade-Estado, depois que a capital foi transferida para Brasília em 1961.

A maior parte dos nossos graves problemas atuais decorre das agressões institucionais praticadas contra nós, no tempo da ditadura, que nenhum outro território brasileiro sofreu com igual intensidade.

Nada mais correto, portanto, do que a União investir no Rio de Janeiro, para, civilizadamente, integrar na cidade a grande parte da população que atualmente vive em favelas e loteamentos clandestinos e irregulares.

É um débito que precisa ser quitado.