ESPECULAÇÃO A FAVOR DO REAL ?
Há uma impressão “mais ou menos disseminada no mercado financeiro”, diz Celso Ming, em seu artigo do Estadão de hoje, “de que há um ataque especulativo a favor do real.”
Essa opinião é correta, por um lado, mas incompleta, por outro.
Na verdade o que parece estar ocorrendo com o dólar está, de fato, acontecendo com o real – que é a única moeda sobre a qual o país exerce a sua soberania monetária.
A especulação que envolve o real, contudo, não é a seu favor, mas – como toda a especulação que se preza – contra a nossa moeda.
Parte da nossa dívida pública está atrelada à SELIC, que é um poderoso indexador, mais “forte”, atualmente, não só do que o real como, também, do que o dólar.
Essa parcela da dívida, indexada à SELIC, está hoje 29,3 bilhões de reais maior em decorrência dos leilões que o Banco Central vem fazendo de “swaps” cambiais.
A sutileza da atual especulação contra o real, portanto, é que ela é uma especulação baseada em indexadores: que se exerce com o auxílio não do dólar, mas de uma unidade de conta – a SELIC – expressa em reais.
Ainda assim, é uma especulação contra o real.
