O RIO VAI VENCER A CRISE DE SEGURANÇA

Não há dúvida de que grupos organizados, às vésperas da posse de um novo governo no Rio de Janeiro, usaram táticas terroristas com finalidade política. Mas esses grupos serão enfrentados e derrotados por nós, a população local, que somos as suas maiores vítimas.

O novo governo estadual vai desmontar, por certo, a aliança espúria que se estabeleceu entre a cúpula da segurança, personificada no chefe de polícia, e os bandidos, com a conivência omissiva do secretário de segurança e, aparentemente, do governo que está findando.

A nossa defesa é a ordem jurídica. Não podemos agir como criminosos, cumprindo-nos fugir da tentação de eliminar fisicamente os malfeitores, como o fizeram os paulistas, em situação semelhante, numa época de triste lembrança.

As polícias mineiras devem ser desmanteladas. O sistema penitenciário, e as cadeias em geral, devem obter, rapidamente, boas condições de execução das penas de privação da liberdade. E é urgente revermos a política de combate ao tráfico de drogas, que, evidentemente, não vem dando o resultado pretendido.

O momento, inclusive, é propício para uma intervenção federal (consentida ) na área de segurança, até que a equipe do novo governo estadual seja instalada. Há muito trabalho a fazer não só por parte das autoridades locais como da população que deve festejar a vida, sem medo. Vamos vencer a crise de segurança do Rio de Janeiro.


HERANÇA CORRECIOMONETÁRIA

Vale a pena voltarmos ao editorial do Estadão do dia 26 de dezembro sobre a “Herança inflacionária” porque ele trata de uma questão muito relevante que compromete o funcionamento atual do mercado financeiro brasileiro e, em conseqüência, “trava” a Economia.

Afirma o jornal, com apoio em estudo de NAKANO ( publicado no diário Valor da semana passada ) que “mantiveram-se instrumentos do regime monetário anterior, como o financiamento da dívida pública no overnight ( com compromisso de recompra pelo Banco Central ), depósitos remunerados diariamente e com liquidez imediata, recolhimentos compulsórios muito altos, falta de mecanismos de financiamento adequado para o déficit público e, em conseqüência, falta de um mercado de crédito de longo prazo.”

Com a falta de mercado de crédito a longo prazo, continua o editorial, “ o déficit público é financiado por um sistema que interliga o Banco Central e os bancos comerciais (..) e leva ao aumento da quantidade de moeda em circulação e de haveres financeiros de alta liquidez (o que ) diminui muito, em contrapartida, a disponibilidade de recursos para o setor produtivo”, do que resulta a elevada necessidade de financiamento do governo e a limitação da eficácia da autonomia do Banco Central.

O editorialista termina o seu texto dizendo não acreditar que o governo esteja disposto a promover os acertos necessários para adaptar a política monetária à vigência atual de um regime de estabilidade de preços. Como, porém, eu sou mais otimista tenho fé em que o pres. Lula, no segundo mandato – desde que encontre um bom ministro da Fazenda para ajudá-lo – fará os ajustes que se impõem, sob pena de se dar mal.


A CLIENTELA DA CORREÇÃO MONETÁRIA

No editorial de hoje, intitulado “Herança Inflacionária”, adverte o Estadão ( com base em artigo do prof. YOSHAIKI NAKANO, publicado no jornal Valor da semana passada ) que, “sob a superfície de aparente tranqüilidade em que navega a política monetária, atuam mecanismos típicos de períodos de inflação descontrolada, que sobreviveram ao Plano Real (os quais) criaram uma barreira à queda mais acentuada da taxa básica de juros e, por isso, tolhem o crescimento.”

Eis o que resultou da lamentável decisão de interromper-se, antes de completá-lo, o processo de desindexação da Economia, deixando de fora setores importantes, como o financeiro, o Judiciário e, indiretamente, o tributário e o habitacional.

O Plano Real e a Desindexação da Economia têm que prosseguir sob pena de o país continuar “travado”, como reclama o pres. Lula. Se isso não for feito rapidamente, o mais depressa possível, outros setores – especialmente os sindicatos e os servidores públicos – vão pressionar por reajustes periódicos para recomposição das “perdas decorrentes da inflação” ( por menor que esta seja ).

A herança inflacionária é, essencialmente, uma herança correciomonetária.


IRAQUE COMO INVESTIMENTO ?

Em entrevista à Agência Associated Press a secretária de estado CONDOLEZA RICE disse, sobre a guerra do Iraque, o seguinte: “Há vários indícios de que o investimento vale a pena, pois uma vez que ( o Iraque ) surja como um fator de estabilização, teremos um Oriente Médio totalmente diferente.”

Eu nunca tinha visto um ministro das relações exteriores de qualquer país tratar, publicamente, a guerra como “investimento”.

Se o governo americano tivesse perguntado aos seus concidadãos se eles estavam de acordo em invadir um outro país como “investimento” teriam eles concordado ?

Ou concordaram, apenas, porque disseram que lá havia armas de destruição em massa e que Saddam Hussein era aliado da Al-Qaeda ?

Sob dois aspectos, pelo menos, a manifestação da secretária é muito torpe: primeiro, ao tratar uma guerra como um investimento; segundo, ao tentar inventar mais uma razão a posteriori para a guerra ter sido feita.