TUDO ERRADO MAS PARECENDO ESTAR CERTO

A sensação é de que tudo, em nosso redor, não está dando certo.

Mesmo assim, o marketing continua funcionando, a gente recebe religiosamente a propaganda das empresas; os modelos que filmam os anúncios para a TV são sorridentes, saudáveis, bem vestidos, e as mulheres bonitas e desfrutáveis, há muitas crianças correndo, como se a realidade fosse o contrário do ela que é.

Será que vivemos num mundo ruim verdadeiro ao mesmo tempo em que somos dominados pelo falso bom ?


VIVA O POVO COLOMBIANO !

Foi uma grata notícia saber que o governo da Colômbia e as FARC assinaram o acordo final que encerra uma guerra civil de cerca de meio século.

Ainda mais que havia pessoas, como o ex-presidente Álvaro Uribe – do qual o atual presidente Juan Manuel Santos tinha sido Ministro da Defesa – que trabalhavam contra.

É auspicioso poder proclamar, nesse mundo tão difícil em que vivemos, que somos um continente sem guerras !


OS NUMISMATAS E OS ALQUIMISTAS

Sempre tive um temor reverencial pelos numismatas e muito desprezo pelos alquimistas. Hoje, todavia, minhas escolhas sofreram uma reviravolta: a numismática, com o surgimento dos títulos de crédito virtuais, vai precisar reinventar-se e a alquimia está com tudo ( e – como se diz – não está prosa).

É verdade que ainda temos as medalhas de ouro, de prata e de bronze e as moedas comemorativas dos eventos, como a da Olimpíada do Rio. Mas numismática para valer, era aquela do tempo do valor intrínseco das peças monetárias, quando as onças e os quilates e as ligas tinham uma importância extraordinária.

De fato, como é possível colecionar bytes?

Já os alquimistas tornaram-se tão importantes, que professores ilustres, como Hans Cristoph Binswanger ( e seu dublador brasileiro Gustavo Franco ) foram capazes de publicar um livro muito instigante sobre o tema, “Dinheiro e Magia – uma crítica da economia moderna à luz do Fausto de Goethe”. É verdade que se trata de uma “crítica” à economia moderna, e não de uma apologia ( como a historia que ajudou o Paulo Coelho a ficar milionário ). Mesmo assim, finda a leitura, fica uma perigosa curiosidade no leitor, a começar pelo fato de que o Doutor Fausto real foi, na verdade, um nigromante – isto é, um alquimista – que morreu em 1539, logo no início do extraordinário século XVI, o mesmo que viu nascer o jurista Charles Dumoulin, pai do nominalismo monetário.

Fiquei tão entusiasmado pelo livro que comprei o volume II do Fausto, de Goethe, na tradução de Jenny Klabin Segall, obra da qual só possuía a primeira parte, que me parecia a mais importante.

Fazendo um resumo, muito pelo alto, do assunto, a segunda parte do Fausto trata da grande novidade, no mundo, que foi a disseminação do uso do papel moeda que, pouco depois da morte de Goethe, se tornou a verdadeira peça monetária, em substituição à moeda de metal.

Agora, que os títulos de crédito, com suportes virtuais, são transportados, em milésimos de segundo, por força de um simples clique, através das fronteiras dos Estados nacionais, só mesmo sendo alquimista para entender a confusão que tomou conta do mercado internacional de capitais.


O INSUPERÁVEL ESPÍRITO GOLPISTA

O dia 24 de agosto sempre me traz amargas lembranças.

A UDN, um partido que se dizia liberal, embarcou numa campanha radical contra o governo nacionalista de Getúlio Vargas mas não conseguiu chegar ao Poder com o suicídio do antigo ditador, que “estragou a nossa festa”, como escreveu Lacerda na época.

O golpe, porém, acabou acontecendo, 10 anos depois, teve perfil empresarial militar, terminou numa ditadura com o AI-5. A UDN virou ARENA, depois PFL, depois DEM e hoje, com seu bacharelismo e espírito golpista, está de novo disseminada pela sociedade, como cachorro sem dono.

O PSOL, por sua vez, prepara-se para substituir o PT, correndo por fora,  pela pista ( esquerda ) de areia. Os liberais de verdade ( não os econômicos ) continuam, lamentavelmente, avessos à política partidária.

Quanto ao PMDB – ah! o PMDB. Quem acreditou nele vai se dar mal, pois o que ele vai fazer mesmo é instituir algum tributo “provisório” de fácil arrecadação ( como o CPMF, por exemplo ). Já o PSDB, ninguém, a esta altura, é capaz de defini-lo.

No fundo, o Brasil mudou muito pouco…