A NOVA GUERRA FRIA E SUA CHATICE
Diante do veto da Rússia e da China no Conselho de Segurança da ONU alguém lembrou que o clima da guerra fria parece estar voltando, para dissabor – acrescento eu – dos leitores de jornal.
Na verdade, tudo está se tornando, de novo, branco e preto, sem nuances. A própria HILARY CLINTON, com o cabelo preso, perdeu o (embora pouco) charme que tinha. Estou achando que ela está fazendo campanha para ser a vice presidente na chapa do OBAMA.
O inimigo, agora, não é o comunismo: são os governantes não alinhados com os americanos no Oriente Médio. São todos eles uns demônios. Dos autocratas da Arábia Saudita, e de outros países árabes aliados, a imprensa não fala nada.
Ainda assim, como a imprensa internacional tem seus vieses mas é livre, pode-se ler, de quando em vez, um artigo do um intelectual tentando colocar os pingos nos i.
Mas é preciso cuidado. O excelente NICHOLAS KRISTOFF, por exemplo, defendeu, veementemente, a implantação de uma zona de exclusão aérea na Líbia – movido, por certo, pela melhor das intenções – e deu no que deu: a OTAN derrubou militarmente o KADAFI, o que não estava no script inicial.
O maniqueísmo que voltou às folhas tem uma explicação: um dos elementos do Poder nacional é o poder militar, irmão gêmeo dos outros poderes: político, econômico e psico-social. Como o poder militar se exerce através da força, da ameaça, e da arrogância, esse estilo contamina as notícias, e os jornais disputam entre si para ver quem fala mais grosso.
Ao lado disso, certos jornais – como o El Pais, por exemplo – que eram muito independentes, foram vendidos e, aparentemente, estão deixando de lado, aos poucos, a antiga linha eqüidistante. Outro jornal que era liberal mas, agora, está se tornando ilegível, é o Washington Post.
Ainda bem que, no Brasil, o Itamaraty está se mantendo isento. Está defendendo, louvavelmente, uma política de direitos humanos, percebendo, contudo, que ela não deve ser usada – como diz a presidenta DILMA – como “arma ideológica”, mesmo porque a democracia não se impõe na ponta das baionetas, de fora para dentro.
Vá tentar convencer disso, porém, os ( chatos ) arautos da neo guerra-fria ?
