DIFERENÇA ENTRE O JORNALISTA E O MILITANTE POLÍTICO QUE ATUA NA MÍDIA

Há um quadro, na TV a cabo Globo News, canal 40 ( ou 540 ), Jornal das Dez, em que aparecem jornalistas do Rio ( Dony de Nuccio e Merval Pereira ), de São Paulo ( Renata Lo Prete ) e de Brasília ( Cristiana Lôbo e Gerson Camarotti ) em que fica clara a diferença entre o jornalista e o militante político que atua na mídia.

Os jornalistas têm a preocupação de informar e de basear a sua análise em fatos e argumentos. O militante, para tentar convencer o público, usa a antiga retórica das frases “é evidente”, “é lógico”, “ é claro” , “não há dúvidas” , “absolutamente”, “tem razão”.

Resultado: ao perder a capacidade de distanciamento do objeto de sua análise, que caracteriza qualquer bom profissional, o militante que atua na mídia perde a credibilidade, porque o ouvinte já sabe, de antemão, o que ele vai dizer.

Como o militante não é o dono da empresa ele corre o risco, mais cedo ou mais tarde, de perder o posto, por incompetência.

A Rede Globo deve saber disso melhor do que eu.


VIVA A PETROBRÁS

Há um trecho da entrevista de Roberta Paduan ao Valor, “O berço do petróleo”, em que a autora divulga o seu livro “Petrobrás – Uma história de orgulho de vergonha”, que transcrevo abaixo, porque me deixou magoado:

“Nunca um governo planejou e executou um plano tão amplo de uso da estatal, como ocorreu nos mandatos dos presidentes Lula e Dilma Rousseff. Digo isso com a tranquilidade de quem não acreditou nessa tese, antes de confrontá-la e ajudou a eleger Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência em 2002”

Uma das maiores lutas da minha geração tinha o slogan “o petróleo é nosso” e eu ainda me sinto, até hoje, defensor da empresa . É pena que os que também deviam, por ideologia política,  preservá-la,  tenham contribuído tanto para o seu desprestígio.


METÁFORAS FUTEBOLÍSTICAS

A Medida Provisória plantada pelo Ministro da Educação Mendonça Filho, modificando o formato do Ensino Médio, foi uma “bola fora”.

Mesmo abstraindo do caráter esquisito dessa herdeira dos Decreto leis, ela se baseia, sinceramente ou não, numa alegação de urgência.

Ontem, na televisão, ouvi o Ministro tentar justificar essa urgência com o argumento de que os jovens alunos de hoje irão ficar mais velhos amanhã, como se isso fosse anormal (?)

Por outro lado, assisti ao lançamento, oficial, da candidatura a Presidente da República, do ex-Ministro da Fazenda Ciro Gomes, numa entrevista a Mário Sergio Conti, em que o experimentado jornalista ganhou de 1 x 0.

Embora articulado e bem informado o candidato Ciro Gomes precisa entender que não basta ser um cearense valente – como há tantos – para se tornar um postulante viável à Presidência pela atual oposição. Se ele continuar a refletir a confusão exterior reinante, somada à dele próprio, e ficar misturando diversas palavras de ordem contraditórias, o eleitor não vai conseguir captar mensagem alguma.


ATO DE PROVOCAÇÃO?

Usar uma Medida Provisória para alterar, a esta altura do campeonato, o formato do ensino, será um ato de provocação, desse Ministro da Educação do DEM, que tem uma das caras mais feias dentre a galeria dos políticos atuais?